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parte 1: cinema e biografia

"Isso mesmo, nasceu não em berço de ouro, mas com uma tela de ouro nos dois olhos. Devo saber o que estou dizendo, fui eu que nasci com uma tela de ouro nos olhos. A tela era a do cinema, e a primeira coisa que vi apareceu como fumaça nos olhos, uma imagem cinza e nublada como fumaça que passava não pela plateia, mas pela tela. Como sabemos, a visão do cinema está nos olhos de quem vê". Para o escritor Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), a sétima arte era tão instigante quanto a literatura. Por isso, ele resolveu transpor para o papel todos os pensamentos sobre o cinema, num processo, na maior parte das vezes, inverso ao do que costuma acontecer. É o cinema inspirando a literatura. Uma paixão mesclando-se a outra.
Esse entrelaçamento pode ser conferido na antologia Cinema ou sardinha, um lançamento da Gryphus Editora. Nas páginas da coletânea, está o melhor de Cabrera Infante, um memorialista, um fã de filmes capaz de mistura vida e ficção com um olhar, às vezes suave, sempre irônico, de uma pessoa que não pode imaginar um mundo sem filmes. A vida é possível sem sardinha, nunca sem cinema.

"Só o cinema se tornou possível graças a um avanço tecnológico. Depende, é verdade, da imperfeição fisiológica que consiste na persistência na retina de uma imagem que já desapareceu — ou, com a invenção do cinema, que já foi substituída", analisa Infante em seu texto sobre a evolução da sétima arte.

Cabrera não só analisa o surgimento do cinema em si mas de gêneros cinematográficos, como o faroeste: "Não há cinemateca que se preze que não tenha projetado O Grande Roubo do Trem, de Edwin S. Porter. É um curta, um filmeco que começa e termina com um cavalheiro de bigode e chapéu apontando para a câmera um Colt 45 e disparando seis balas à queima-roupa — contra o espectador, claro."

Cabrera também reflete sobre o diálogo permanente entre a literatura e o cinema. Para ele, a despeito de sua origem como invenção visual, o cinema aspirou ao prestígio da literatura. O escritor recorda, por exemplo, que um dos grandes êxitos do cinema mundial, O assassinato do Duque de Guise (1908), saiu de um texto literário e teatral. Assim como as obras de Méliès, tão inventivo, baseou-se em adaptações de H.G. Wells e Julio Verne. E opina sobre os efeitos da dublagem sobre a obra original. Quando morava em Madrid com a família, viu desaparecer dos cinemas locais as versões originais de Mary Poppins, que foram substituídas pelas cópias dubladas: "E Mary Poppins, abandonando a deliciosa pronúncia inglesa de Julie Andrews, passou a levitar em espanhol e desapareceu num cipoal de falas dubladas que Walt Disney nunca ouviu."

Além dos pensamentos sobre a sétima arte, Cabrera Infante também se dedica a escrever "Biografias íntimas" sobre grandes nomes do cinema, como a atriz Katherine Hepburn: "Katharine Hepburn (uma Catalina que os amigos chamavam de Kate) foi, durante mais de sessenta anos, uma das atrizes mais conhecidas em toda parte e, com exceção de Greta Garbo, talvez a mais intrigante.

A despeito de várias biografias e pelo menos duas autobiografias, uma delas intitulada Eu, histórias da minha vida, que é típico, tudo dito e tudo escrito ela ainda é um pequeno enigma".

Cinema ou sardinha é uma aula sobre cinema nas visões de um de seus maiores e mais expressivos fãs.
O livro será publicado em 3 partes. A primeira tem como sub-título Pompas Fúnebres.

Guillermo Cabrera Infante nasceu em Gibara, Cuba, em 1929. Começa desde muito jovem a participar da vida intelectual cubana e da oposição a Batista, que inclusive chega a encarcerá-lo. Seu primeiro livro, Así en la paz como en la guerra, data de 1960. Mais adiante, após ganhar em 1964 o prêmio Biblioteca Breve com Tres tristes tigres, decide fixar residência na Europa, afastando-se do regime castrista. Guillermo Cabrera Infante foi agraciado com o prestigioso prêmio Miguel de Cervantes, em 1997.

Embora esta coleção de artigos apresente-se como um percurso pelos principais gêneros do cinema e pelas biografias de carismáticos diretores, atores de sonho, dançarinos geniais ou perigosas vamps, Guillermo Cabrera Infante é na realidade seu protagonista absoluto. O erudito escritor combina, com um estilo inconfundível, episódios autobiográficos com suas preferências como espectador. Descreve-se assim uma forma de entender o cinema como parte da vida que caracterizou uma geração, cuja atitude é resumida pelo próprio autor na anedota que dá título ao livro: “Na minha cidadezinha, quando éramos crianças, minha mãe perguntava a mim e a meu irmão se preferíamos ir ao cinema ou comer, com a frase festiva: Cinema ou sardinha? Nunca escolhemos a sardinha”.

Cinema Ou Sardinha - 1 Pompas Fúnebres

R$ 31 , 41

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