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A presença Econômica Chinesa na América Latina e as Conseqüências para o Mundo do Trabalho

Seminário Internacional no RJ

Escrito por Leonardo Severo

20/01/2010

O Instituto Observatório Social, na condição de Secretaria Operativa da RedLat (Rede Latino-americana de Pesquisas em Empresas Multinacionais), promove, nos próximos dias 2 e 3 de fevereiro, o seminário internacional A presença econômica chinesa na América Latina e as conseqüências para o mundo do trabalho.

No evento, que acontece nos dias 2 e 3 de fevereiro, no Rio de Janeiro, será divulgada a pesquisa Oportunidades e ameaças do crescimento do papel global da China para os trabalhadores latino-americanos, abrangendo oito países da região: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai.

Apoiado pela FNV Mondiaal, o Seminário contará com a participação de lideranças das Confederações Nacionais de Trabalhadores na Construção (Conticom), Vestuário (CNTV), Químicos (CNQ), Metalúrgicos (CNM) e Setor Mineral (CNTM), que debaterão com dirigentes e assessores do movimento sindical latino-americano, acadêmicos e representações governamentais ações relativas ao direito dos trabalhadores, meio ambiente e responsabilidade social. Entre outras estão confirmadas as presenças do embaixador da República Popular da China no Brasil, Qui Xiaoqi; do secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, Rodrigo Maciel, do assessor da presidência do BNDES, Ricardo Henriques; do presidente da CUT, Artur Henrique e de João Antonio Felício, secretário de Relações Internacionais da CUT.

“Acredito que o estudo vai contribuir para desmistificar preconceitos difundidos por empresários e repercutidos pela mídia, que tentam identificar o crescimento chinês com arrocho salarial e precarização de direitos”, declarou Aparecido Donizeti, presidente do Observatório Social . Os dados levantados demonstram que o centro do crescimento chinês está na dinâmica da sua economia, o que, ressaltou, aponta para a necessidade de fortalecermos o nosso mercado interno com sólidos investimentos nos setores mais intensivos em tecnologia.

Conforme o professor da USP Alexandre Barbosa, coordenador do estudo, a competitividade chinesa está relacionada a um conjunto de fatores: escala de produção, mercado interno potencial, taxa de investimento crescente, planejamento do Estado e crédito barato, além de incentivos fiscais e câmbio desvalorizado. Assim, a tão propalada “ameaça chinesa”, declarou, “não se deve à mão-de-obra barata, mas a ineficácia das atuais políticas nacionais de desenvolvimento e de integração racional dos países latino-americanos, ao menos quando se tem em mente a necessidade da elevação dos níveis de emprego e renda de forma sustentada”.

No que diz respeito à relação Brasil-China, avalia o professor, a grande questão que se coloca é em que medida a melhoria dos termos de intercâmbio da região, propiciada pelo efeito China – como a queda dos preços industriais importados e a elevação dos preços das exportações de commodities – pode ser sustentável no curto prazo.

A América do Sul e Central respondem por 25% dos produtos agrícolas consumidos pela China e por 13% dos produtos minerais, incluindo combustíveis, enquanto apenas 4% das exportações chinesas dirigem-se à América Latina. A região tem um saldo superior a 21 bilhões de dólares com a China, enquanto acumula um déficit de 67 bilhões em produtos industrializados.

Durante o seminário, também serão discutidas ações futuras envolvendo o movimento sindical, os governos e o setor privado. Na avaliação de Donizeti, ”a conformação de câmaras setoriais e de fóruns bipartites e tripartites são algumas propostas que estão no horizonte das relações comerciais e industriais com os chineses”.

Confira a programação:

Seminário Internacional: A presença econômica chinesa na América Latina e as conseqüências para o mundo do trabalho.

Local: Rio de Janeiro – Hotel Othon Leme

Datas: 2 e 3 de fevereiro de 2010

1º de fevereiro (segunda- feira)

Recepção dos participantes

2 de fevereiro (terça- feira)

9h30 – Abertura Institucional

– Aparecido Donizeti da Silva, presidente do Instituto Observatório Social

– João Antonio Felício, Secretário de Relações Internacionais da CUT

– Victor Báez, Secretário Geral da CSA (a confi rmar)

– Andriette Nommensen, -assessora de política da FNV Mondiaal

– Elvio Lima Gaspar, Diretor para Crédito e Inclusão Social do BNDES (a confirmar)

– Jochen Steinhilber, representante da FES no Brasil (a confirmar)

– Qui Xiaoqi, embaixador da República Popular da China no Brasil

10h30 – Painel 1 – A ascensão chinesa e o novo cenário internacional

– Romer Cornejo, professor do El Colegio de México

– Antônio Barros de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Assessor da residência do BNDES

Mediação: RedLat

12h30 – Almoço

14h – Painel 2 – A China na África

Apresentação da pesquisa: Chinese Investments in Africa, realizada pela African Labour Research

Network, com apoio da FNV.

Herbert Jauch, Diretor para Pesquisas e Educação da ALRN.

Mediação: FNV Mondiaal

15h – Debate

15h30 – Pausa para café

16h – Painel 3 – A China na América Latina

Apresentação da pesquisa Made in China: Oportunidades y amenazas planteadas por El ascenso global de China para los trabajadores latinoamericanos, realizada pela RedLat, com apoio da FNV.

Alexandre de Freitas Barbosa, professor da Universidade de São Paulo. Mediação: FNV Mondiaal

17h – Debate

3 de fevereiro (quarta- feira)

9h30 – Painel 4 – As relações econômicas entre Brasil e China: competição ou parceria?

– Artur Henrique dos Santos, presidente da CUT

– Rodrigo Maciel, secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China

– Representante da Confederação Nacional das Indústrias (a confirmar)

– Representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

– Ricardo Henriques, assessor da presidência do BNDES

– Severino Cabral, diretor-presidente do IBECAP e professor da Universidade Cândido Mendes

Mediação: Instituto Observatório Social

11h30 – Debate

12h30 – Almoço

14h – Painel 5 – A ascensão chinesa segundo a perspectiva do movimento sindical latino-americano

Representantes do movimento sindical latino-americano

Mediação: IOS

15h30 – Debate

16h -– Pausa para café

16h30 – Painel 6 – Globalização, integração regional e a ascensão chinesa: os novos desafios para a organização sindical

– Kjeld Jakobsen, especialista em Relações Internacionais

– Victor Baez, Secretário Geral da CSA (a confirmar)

– Patricio Sambonino, Consultor da FNV e Coordenador do projeto ICEM-Mercosur Mediação: RedLat

17h30 – Encerramento

Atualizado em ( 21/01/2010 )

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