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  • Toni Morrison: Uma Voz Poderosa na Literatura Contemporânea

    Toni Morrison, nascida Chloe Ardelia Wofford, é uma das escritoras mais aclamadas e influentes da literatura contemporânea. Sua obra se destaca pelo retrato profundo e abrangente da experiência afro-americana, explorando temas como raça, gênero, história e identidade. Nascida em 1931 em Lorain, Ohio, Morrison cresceu em um ambiente fortemente enraizado na tradição oral e na herança cultural negra. Essa influência se reflete de maneira marcante em sua escrita, que se caracteriza por uma linguagem poética e evocativa, mesclando elementos da ficção, da biografia e da mitologia. Seu primeiro romance, "The Bluest Eye", publicado em 1970, introduziu sua voz única e desafiadora ao mundo literário. Nessa obra, Morrison aborda questões de beleza, autoaceitação e opressão social, explorando os impactos psicológicos do racismo e do sexismo na vida de uma menina negra. Esse livro estabeleceu as bases de sua carreira, destacando sua capacidade de dar voz a experiências marginalizadas e de desafiar as estruturas de poder. Ao longo de sua carreira, Morrison continuou a produzir obras-primas, como "Sula" (1973), "Song of Solomon" (1977) e "Beloved" (1987), este último considerado seu opus magnum. Esse romance, que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de Ficção, narra a história de uma ex-escrava perseguida pelo fantasma de sua filha, refletindo de maneira poderosa sobre os traumas do passado e suas repercussões no presente. A contribuição de Toni Morrison para a literatura vai muito além de suas obras ficcionais. Ela também se destacou como crítica literária, professora universitária e editora, desempenhando um papel crucial na valorização e divulgação de vozes marginalizadas na literatura. Em 1993, Morrison tornou-se a primeira mulher negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura, reconhecimento máximo de sua obra inovadora e de seu impacto global. Ao longo de sua carreira, Toni Morrison desenvolveu uma escrita singular, marcada por uma profunda compreensão da experiência afro-americana e pela capacidade de abordar questões complexas de raça, gênero e identidade de uma maneira poética e comovente. Sua obra se tornou um marco indelével na literatura mundial, inspirando gerações de leitores e escritores a explorarem a riqueza e a diversidade da experiência humana.

  • Vamos Brindar o Dia do Amigo com uma Boa Leitura!

    Olá, amantes da literatura e gratos por termos amigos incríveis em nossas vidas! Chegou aquele dia especial que todos nós aguardamos ansiosamente: o Dia do Amigo! É um momento perfeito para celebrarmos a amizade, refletirmos sobre o que ela significa e, claro, aproveitarmos a oportunidade para desfrutar de uma boa leitura. Então, prepare seu copo, escolha um lugar aconchegante e venha comigo nessa viagem literária! A Importância da Amizade Antes de mergulharmos nos livros, que tal refletirmos um pouco sobre a amizade? Ela é um dos laços mais preciosos que podemos cultivar. Amigos são aqueles que nos apoiam nos momentos difíceis, comemoram nossas vitórias e, acima de tudo, tornam nossas vidas mais leves e divertidas. Ter um amigo é como ter um irmão escolhido a dedo, e por isso merece ser celebrado! Neste Dia do Amigo, que tal brindar com um livro que represente essas relações tão singulares? A literatura possui uma vasta gama de obras que nos fazem refletir sobre o que é ser amigo, e eu separei algumas sugestões imperdíveis para você! Livros para Brindar a Amizade 1. O Sol é Para Todos de Harper Lee Este clássico da literatura americana é mais do que uma simples reflexão sobre a amizade; é uma poderosa ode à empatia e à compreensão. A narrativa gira em torno das experiências de Scout Finch, uma jovem que aprende lições valiosas sobre moralidade e justiça na sociedade. Os laços familiares e de amizade se entrelaçam, mostrando que juntos somos mais fortes. Ao ler esta obra, você pode brindar com seu amigo e discutir a profundidade dos relacionamentos que nos moldam. 2. As Vantagens de Ser Invisível de Stephen Chbosky Se você, ou alguém que você conhece, já passou pela adolescência, sabe como essa fase pode ser complicada. Neste livro sensível e tocante, acompanhamos Charlie, um adolescente que se sente perdido em meio a um mundo de pressões sociais. A amizade desempenha um papel crucial na sua jornada, e cada página nos lembra da importância de estar cercado por pessoas que nos compreendem e aceitam como somos. Brinde as relações que nos ajudam a superar nossos medos! 3. Amigo Secreto de Pedro Bandeira Ah, os mistérios da amizade! Este livro é um convite a relembrar as travessuras e as surpresas que só os amigos proporcionam. Em formato de contos, a obra traz personagens que passam por diversos desafios e divertidas situações. A proposta do amigo secreto nos faz refletir sobre o quanto podemos aprender e ensinar uns aos outros. Que tal comemorar com um bom espumante enquanto você e seus amigos costumam trocar presentes e reflexões inspiradas nas histórias? 4. A Amiga Genial de Elena Ferrante Esta é uma das mais celebradas obras do século XXI, e por um bom motivo! A relação entre Lila e Elena traça uma linha intrincada entre amizade, rivalidade e a busca por identidade. Ao percorrer a trajetória de duas amigas que crescem em Nápoles, você será conduzido a reflexões profundas sobre o que significa crescer junto e ao mesmo tempo se desafiar. Um brinde ao vínculo que transforma nossas vidas de maneiras inimagináveis! 5. O Livro dos Amigos de Luís Fernando Veríssimo Se você está procurando algo leve e divertido, não pode deixar de ler esta coletânea de crônicas! Veríssimo tem um jeito único de contar histórias que fazem a gente rir, refletir e lembrar dos bons e velhos amigos. Com uma prosa afiada e bem-humorada, este livro é um convite para relembrar os momentos especiais que passamos com nossos amigos. Faça um brinde e compartilhe algumas passagens divertidas dessas crônicas, você vai se surpreender com as memórias que surgirão! Compartilhe o Amor pela Leitura Neste Dia do Amigo, não importa se você está com amigos próximos, à distância ou se está planejando um momento especial para celebrar com aqueles que você adora. O que realmente importa é como podemos conectar-nos uns aos outros por meio das palavras. Que tal fazer um clube do livro virtual ou presencial com seus amigos para discutir essas obras? Encorajo você a compartilhar excertos dos livros que você escolher. Envie mensagens carinhosas, convide seu amigo para um café e troque ideias sobre os personagens, enredos e as profundas lições que podemos aprender juntos. Afinal, a leitura é uma forma incrível de criar laços e fortalecer a amizade. Uma Tarde de Leitura e Alegria Se você já tem um título em mente, arrume aquele canto especial da sua casa. Prepare algumas bebidas refrescantes e aperitivos para acompanhar. Coloque uma música suave e reserve um tempo para mergulhar nos livros. Que tal também fazer uma seleção de citações sobre amizade para compartilhar com seus amigos? Você pode criar um mural ou mesmo um grupo de mensagens para trocarem essas frases incríveis! Finalizando com um Brinde Por fim, gostaria de levantar um brinde! Um brinde a todos os amigos que inspiram e motivam, aos diálogos que nos fizeram rir até a barriga doer, às experiências que nos mostram a beleza da vida. Que possamos sempre cultivar essas amizades e, claro, a paixão pela leitura. Neste Dia do Amigo, valorize cada palavra lida, cada risada compartilhada e cada momento especial. A literatura e a amizade são presentes que devem ser celebrados todos os dias. Então, vamos brindar com uma boa leitura? Feliz Dia do Amigo! Que venham muitas páginas viradas, muitas histórias contadas e muitos brindes a mais! 🍷📚✨

  • Dicas de Leitura para a Semana

    Nesta semana, separamos algumas sugestões de leitura que podem ser uma ótima opção para você se entreter e se informar. Vamos lá? Livro da Vez: " Cem Anos de Solidão " de Gabriel García Márquez Este clássico da literatura latino-americana é uma verdadeira obra-prima do realismo mágico . Acompanhe a história dessa família incrível, repleta de personagens memoráveis e acontecimentos fantásticos. Um livro que certamente vai te fazer refletir sobre a condição humana. Artigo Interessante: "Os Benefícios da Leitura para a Saúde Mental" Já é bem conhecido que a leitura traz diversos benefícios para o nosso bem-estar. Esse artigo explora como a prática da leitura pode ajudar a melhorar a saúde mental, reduzindo o estresse, melhorando a memória e a concentração. Uma ótima leitura para quem quer entender melhor a importância de ler regularmente. Conto Imperdível: "O Alienista" de Machado de Assis Machado de Assis é um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, e esse conto é uma excelente amostra de sua genialidade. Acompanhe a história de um médico que abre um hospício na cidade e acaba questionando os limites entre a sanidade e a loucura. Um conto intrigante e repleto de reflexões profundas. Então, o que você achou dessas sugestões? Espero que encontre algo que te desperte o interesse e aproveite essa semana para se deliciar com boas leituras. Até a próxima!

  • Podcast Fragmentos conversa com Afonso Celso, confira!

    Afonso Celso foi o primeiro entrevistado do Podcast Fragmentos. Ele falou sobre o seu livro, "O Mantra", e falou também sobre suas inspirações e expectativas. Se ainda não ouviu, poderá ler a entrevista na íntegra, Helbson de Avila - Olá gente, esse aqui é o fragmentos, o podcast da livraria Pandora e eu, eu sou Helbson, a pessoa que vai conduzir essa conversa com você. Hoje é terça-feira e vamos receber a ilustre presença do nosso querido amigo Afonso Celso. Afonso Celso é autor do livro mantras, eu vou dispensar as apresentações tanto do livro, quanto dele porque vou logo chamá-lo para essa conversa, esse bate-papo. Afonso fala pra gente um pouco de você, quem é Afonso Celso? Afonso Celso - Eu sou professor de matemática formado do pela universidade federal Fluminense, e sou ator formado pela UNIRio. Eu sou professor de matemática da rede pública do Rio de Janeiro há mais de 30 anos. Rede Municipal e também é trabalho em escolas particulares desde 1986. É... como ator já fiz muito teatro, cinema e televisão, atualmente eu tenho um canal de vídeos de humor político. Né… chamado Poli Humor, onde eu atuo como ator, redator e eventualmente diretor. E… atualmente também sou vice-presidente do sindicato dos professores das escolas, dos professores das escolas particulares, o Sinpro Rio. Helbson de Avila - Puxa Afonso, realmente é uma bagagem e tanto né, é uma experiência longa aí né... mais de 30 anos de docência, conhece a realidade muito bem aí do, do, do, da categoria né. E... fala um pouquinho do seu livro né, parece que ele tem muito a ver com a sua vivência isso mesmo? Afonso Celso - É… o livro mantra ele nasceu de uma necessidade que eu tinha de falar um pouco sobre esse adoecimento mental, que a categoria de professores sofrem devido à sua estafante jornada de trabalho, né. É uma jornada que, fictícia mas é uma jornada que muitos professores enfrentam de trabalhar pela manhã, à tarde e à noite, em colégios diferentes e isso faz com que esse esgotamento dos professores, o levam ao adoecimento mental. É no caso do meu livro, também fez parte do processo de escrita. É um trabalho que eu tinha com o meu grupo de teatro, chamado grupo ARTE - ação e reflexão teatral. Em que a gente fazia a partir de improvisações. A gente construía, um personagem e depois ia trocando histórias.Como esse trabalho acabou não não indo a público né, por diversos problemas eu aproveitei esse material e junto com toda essa minha bagagem de professores mais de 30 anos em sala de aula. Eu acabei escrevendo um mantra, que é a história de um professor que vai adoecendo mentalmente e com isso ele vai se tornando uma pessoa perversa. Helbson de Avila - Uau Afonso! Realmente o livro é muito bom, eu tive a oportunidade de ler então eu sou suspeito para falar, mas você falando aqui, a gente pode passar para os nossos ouvintes né, que é uma experiência maravilhosa, fantástica. Quem é professor ou conhece a rotina, vai logo se identificar. E espera-se né, que tome as precauções, antes que seja tarde né? Porque, o que acontece (com) com o personagem do livro, muitas das vezes acontece com a pessoa na vida real e ela nem se dá conta. E ainda mais nesse período que estamos vivendo, um período de pandemia né, com essa questão do ensino híbrido, enfim. Né! Mas, e falando em pandemia, fala pra gente um pouquinho como é que está a sua rotina nesse período. Eu sei que você é ator, tem um canal no YouTube, tem o programa MEC. Fala um pouquinho para gente, da sua atividade nesse período. Afonso Celso - Durante a pandemia eu só realizei trabalhos para o meu canal. Né, nós fizemos alguns vídeos. É, em sua maioria, cada um gravando de casa. Mas nós chegamos a fazer num determinado momento com poucas pessoas alguns trabalhos presenciais. É sobre teatro eu tive até um convite para fazer, mas seria um teatro online e como eu já estou sem fazer teatro há bastante tempo, eu não aceitei porque a minha vontade quando retomar meus trabalhos como ator teatro, é no palco, é com o público. Realmente, é um pra mim, que sinto falta do teatro, este teatro, né. Para fazer este ato online eu preferia investir todo o meu tempo e disposição para fazer os meus trabalhos no meu canal de vídeos. Helbson de Avila - Meus amigos, estamos aqui conversando com Afonso Celso, professor, educador da rede pública e privada, teatrólogo, ator, diretor, roteirista e aí ele, tem também um canal no YouTube, o Poli Humor, muito bom! Quem já teve a oportunidade de ver sabe, quem não teve acesso lá, canal Poli humor. Também tem um programa no canal Iaras e Pagu, chamado MEC - Movimentando Educação e Cultura, todas as quartas-feiras. Maravilhoso, com entrevistas fantásticas. Afonso, mas tirando essa questão aí da da de ator diretor, enfim seguindo ainda na linha da da literatura, quais são os seus planos para os próximos para o próximo período? É, a gente não sabe até quando vai essa pandemia, mas quais são os seus planos? Afonso Celso - Primeiro eu nunca tive a pretensão de ser um, um autor, né. Um escritor de romance. Eu já havia escrito uma peça, eu escrevo roteiros, mas romance assim, esse foi o primeiro porque foi um, uma explosão de idéias que eu tive e uma vontade muito grande de falar. Só que, a partir daí eu comecei a entender um pouco né, a carpintaria de fazer um romance e com os estudos que fiz pra... com escolas de roteiro, fui adaptando algumas coisas para esse meu trabalho que eu fiz com o mantra, e eu tenho dois projetos engatilhados, né. Duas sinopses digamos assim como a gente falando roteiro, sinopse para dois novos romances, né. É, e eu espero assim, não não tenho pressa de lançá-lo, eu vou escrevendo assim como, né sem nenhum tipo de disciplina, mas eu espero quem sabe daqui a um ou dois anos eu lance mais um romance, aí. Já que se o mantra me deu uma satisfação muito grande, é, no seu resultado. Helbson de Avila - OPA! Veja só, em primeira mão, vindo direto da boca do autor, dizendo aí que tem mais um livro no forno, pronto para sair. Vamos ficar na torcida e aguardar os próximos capítulos. Com certeza no próximo episódio que o Afonso nos brindar com sua presença a gente vai, já vai ter os spoilers, e aí galera fique ligado porque Afonso é o máximo. Afonso quero agradecer muito a sua participação neste primeiro episódio em forma de entrevista. Vamos fazer regularmente e espero contar com você em outras ocasiões, tá. Fica aí, esse momento aí pra você fazer suas considerações. E pessoal siga ai o Afonso, tá. Vai lá Afonso, é com você. Afonso Celso - Eu queria agradecer a livraria Pandora pela parceria. Foi a primeira livraria a acreditar no meu trabalho e me fazer essa parceria de vendas, né. Divulgação do meu trabalho. E convido a todos, quem puder né, adquirir, aí o livro, o mantra e ler dá esse esse retorno pra gente, eu espero que vocês gostem, é um, é um trabalho que a gente pretende divulgar um pouco pra sociedade, né. O quanto do sofrimento por passar um profissional de educação do nosso país e aproveitar vocês a todos e todos aí convidar vocês também para conhecer meu canal de vídeos de humor, O Poli Humor, que está lá no YouTube, quem puder assistir, se inscrever, curtir, comentar, compartilhar. A gente sempre pede isso e agradece muito a quem o fizer. Grande Abraço! Helbson de Avila - Valeu Afonso, muito obrigado pela sua participação, agradeço imensamente de coração, por estar nos brindando por esse… com essa sua experiência. Fica por aqui o nosso programa fragmentos e a gente se encontra com uma nova entrevista na próxima semana e nesse intervalo fique com as nossas poesias. Obrigado e até mais! ________________________________________________ Escolha sua plataforma favorita😉, compartilhe com seus contatos e comente nos post o que você achou da entrevista. Estamos esperando suas considerações, tá bom? Anchor https://anchor.fm/livraria-pandora/episodes/Fragmentos-Pandora-com-o-autor-Afonso-Celso-e113401 Google Podcast https://www.google.com/podcasts?feed=aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy81YWQwMmVjNC9wb2RjYXN0L3Jzcw== Spotify https://open.spotify.com/show/7hs0T3cEbBj3xlr1Smdmpm Break https://www.breaker.audio/fragmentos-pandora PocketCasts https://pca.st/62ev5703 RadioPublic https://radiopublic.com/fragmentos-pandora-60lXBL #podcast #podcastpandora #equalizarconhecimento #socializarinformação #estabelerconfianca #aleituracomoumatopolitico #SolidariedadeNaPandemia #livrariapandora #AfonsoCelso

  • Professora Doutora Barbara Carine: uma intelectual diferentona

    Olá gente, tudo bem? Hoje é mais uma quinta-feira e estamos começando mais uma edição do podcast fragmento. O podcast da livraria Pandora.Hoje vamos receber para nossa revista semanal a professora doutora Barbara Karine.Vocês vão ficar apaixonados também.Antes, porém, vamos ouvir um poema de Cecília Meireles para nos ambientarmos. Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve… – mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes… – palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, – que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegando nos ares certos do tempo, até não se sabe quando… – e um dia me acabarei. Cecilia Meireles, Viagem Apresentador : Vamos lá então para a nossa entrevista? Barbara Karine é a nossa convidada desta semana, uma professora lá de Salvador. Doutora, é militante, enfim, é uma intelectual diferentona, assim como ela se identifica em seu perfil no Instagram. Mas, a gente vai ter oportunidade de conhecer melhor a partir de agora. Barbara, fala para a gente um pouco, quem é Bárbara e como a química, né? Como a química e a docência entrou na sua vida? Por que você escolheu a área de química e também ser professora? Quais foram as suas influências para essa decisão? Barbara : Olá, meu nome é Bárbara Carine Soares Pinheiro, eu sou, sou mãe, sou mulher negra, cis, nordestina. Sou educadora, né? Sou professora na universidade federal da Bahia, no instituto de química. Sou professora, portanto, de química, né? E, sou também, sócia em um minha escola aqui em Salvador, na escola afro brasileira, chamada Maria Felipa. Ah, o interesse na área de química, vem… é meio meio contraditório, talvez, né? Eu sou uma menina negra de favela, né? Venho da periferia aqui de Salvador. Eh, fui criada fundamentalmente pela minha mãe. Nós morávamos com ela, né? Eu tinha meu pai, mas meu pai tinha uma outra casa, outra família. Então era cotidiano, né, era da criação da minha mãe, que era uma mulher negra também. Ex-empregada doméstica, né. Então, muito atípico, uma jovem negra, favelada, decidir pelas áreas, por uma área das exatas, né? Mas eu tive a oportunidade de estudar em uma escola pública aqui de Salvador, que é o antigo CEFET, uma escola técnica, né? E lá eu desenvolvi muito fortemente, o gosto, pelas ciências, ditas exatas, né? Por matemática, por química. A rigor, a rigor, talvez eu devesse ser engenheira química. Porque eu gostava muito de química e de matemática, né? Até o último dia lá, da inscrição no vestibular, eu estava na dúvida se eu faria vestibular pra química ou para matemática, porque no meu entendimento, eu só poderia ser professora. Porque eu nunca tinha me visto, né? Eu, mulher negra, pessoa negra em geral, eu nunca tinha me visto em um outro posto de trabalho, de formação superior que não, professor/professora, né? Nunca tinha visto mesmo uma pessoa engenheira negra, não tinha, então era um lugar de projeção pra mim é muito difícil, né? Professores, eu tive, então eu imaginava, né? Me projetavam nesse lugar. De ser professora, é de química ou de matemática. No apagar das luzes, eu escolhi a química porque eu fui conversar com meu professor de química e como professor de matemática, eram 2 homens e eles me informaram, assim, me deram a entender que química era melhor para o mercado de trabalho, porque além de ser professora, se eu quisesse, eu poderia trabalhar na indústria, né? Na parte farmacêutica, na Cosmetologia, enfim, tinha um campo de atuação profissional mais amplo e quando a gente é pobre, né? A gente pensa muito nessa base material, né? Assim, eu tenho que trabalhar, eu preciso me sustentar, então, que área que eu vou escolher que vai me dar esse retorno, né? Então optei pela química, mas já entrei, nitidamente, sabendo que queria ser professora de química. Apresentador : Bárbara, a sua trajetória, assim como a de muitas, é muito difícil de ser trilhada, né? Às vezes é preciso abrir mão de sonhos, perspectivas, enfim, mas quando se tem apoio e referência, a gente acaba por conseguir vencer certos obstáculos. É, diante disso, quais são ainda os seus sonhos? O que você pretende ainda realizar? Seus medos, anseios, enfim, é fale um pouco mais de Bárbara e suas perspectivas. Barbara : Bom, Bárbara Karine, acho que como eu apresentei inicialmente aí, né, na questão anterior, é uma mulher, uma mãe, uma educadora, né? Uma professora, funcionária pública, empresária também né? Uma militante negra, uma escritora, uma pesquisadora. Uma mulher multifacetada, que não abre mão da sua essência, né? De mulher favelada, de alguém que se construiu a partir de uma cultura de periferia, né? E que valoriza e que ama essa essa cultura, né? Então… então, acho que eu me identifico desse modo. E hoje, meus sonhos, ah! É muita coisa, né? Enquanto bom, é óbvio que eu tenho um sonho de que minha filha cresça, que seja feliz, que seja realizada em suas escolhas, né? Que tem a possibilidade de viver em um mundo livre. Em um mundo, não só de liberdade de ir e vir, mas liberdade de possibilidades existenciais, né? Que ela possa ser exatamente o que ela sonhasse ser. E que ela sonhe alto, que ela sonhe grande, né? Porque o nosso sonho também é, na medida do que o mundo nos oferece, infelizmente. É, enquanto mulher, eu tenho sonhos, né? Eu tenho sonhos, da auto sustentação da minha família, por exemplo. Minha família hoje ainda é, financeiramente é muito dependente de mim, né? Irmãos, principalmente, né? Porque mãe é isso mesmo, né? Vai ser dependente até o resto da vida. Eu fui dependente dela, né? Hoje é, hoje ela é minha.Mas enfim, que meus irmãos prosperem, né? Que tenham bons empregos, que se auto sustentem, né? Minha família. Ah, tenho um sonho, de continuar produzindo né? De continuar, desempenhando um papel social que eu tenho, desenvolver uma intelectualidade, uma intelectualidade na área da educação para as relações étnico raciais no campo das ciências da natureza. Continuar socializando uma ciência africana. É? De melhoria obviamente, não é, é? Salarial? De ter uma realidade material ainda melhor, né? Pra que, eu possa, possa curtir um pouquinho dessa vida, né? Por que às vezes a gente vive mais para sobreviver. Para ajudar as pessoas, pra pagar contas, né? Eu me sinto ainda nesse lugar. Então eu quero curtir um pouquinho mais, quero viajar mais, quero conhecer coisas, quero… tenho esses interesses, sim. Tem interesse que a Maria Felipa, ela cresça, né? Que seja uma escola… é grande estruturalmente, como ela é grande em ideais, né? Eu sou uma mulher de muitos sonhos. Apresentador : Gente, estamos aqui conversando com Bárbara Karine, que fala de seus sonhos, suas perspectivas, fala de sua vida… Ela é professora universitária em Salvador. Tem uma escola com um ideal gigantesco, como ela mesmo falou, ela se intitula como uma intelectual diferentona, e de fato, a sua trajetória, não deixa dúvidas. E agora? Agora eu quero ouvir de Bárbara sobre os livros, ela é autora de alguns títulos voltado para a área pedagógica e sempre dentro da sua realidade, né? Tentando colocar a química a serviço da sociedade, né? De uma formação mais humana para as pessoas. Barbara, fale um pouquinho de pessoas, de suas obras, de seus livros. Bárbara : Bom, na realidade, são 6 livros.O primeiro deles foi publicado em 2014, que é um livro de funções orgânicas e a pedagogia histórico crítica no ensino de ciências. Que é um livro que eu falo um pouco de mediação didática, né? Da química orgânica, a partir do contexto dos alimentos, amparado em uma teoria pedagógica chamada pedagogia histórico crítica. O segundo livro que é um livro de 2016. 2016 eu lanço 2, né? Um de autoria, que é uma formação de professores e professoras de ciências, na perspectiva sócio histórica. Eh, que é um livro que eu falo da formação de professores e professoras. A partir desse viés, dessa teoria, né? Que foi uma teoria que eu, que eu estudei, que eu me aprofundei durante meu mestrado e meu doutorado, que é a pedagogia histórico crítica. Nesse mesmo ano, eu organizo um livro juntamente com outros professores da universidade. Com o professor José Luiz, o professor Hélio Messeder, o professor Edilson Moradillo, que é o livro identidade docente em química, que é uma coletânea de possibilidades de pesquisa, né? Que nós mapeamos no instituto de química. Naquele contexto, até o ano… acho que 2014 se não me engano, né? As pesquisas desenvolvidas na área da educação, de 2010 a 2014.E aí organizamos essa coletânea, que é uma coletânea também voltada para a formação docente. 2018, eu vou organizar um outro livro, que é um livro descolonizando saberes, a lei 10639 no ensino de ciências, organizo junto com a professora Katemari. A partir de uma disciplina que nós damos no programa de pós-graduação, que eu disciplina, né? De ciência africana e afro diaspórica. Então, como pensar a mediação de, a mediação didática na área de ciências da natureza e para além dela, é pautado na lei de um 10.639, que é uma lei que prevê o ensino de história e cultura africana e afro brasileira em toda a extensão curricular da educação básica, né? É, então é uma coletânea, tem vários autores e autoras que foram nossos discentes do componente curricular. Em 2020, eu lanço, né? Um livro autoral que é o livro descolonizando saberes, mulheres negras na ciência, que é um livro que eu vou falar um pouco, né? Da, da questão da mulher negra, a partir da ótica do mundo, do feminismo negro. O movimento de mulheres negras no Brasil e no mundo a partir dessa perspectiva, vou trazer um pouco da minha história, né? Como que eu me constituo a partir desse lugar. Eh, de uma ancestralidade matrilinear né? da minha mãe, da minha avó, da minha bisavó, de mulheres negras, né? Que construíram esse espaço, essa possibilidade existencial, onde que eu acesso? É, e como que eu chego a ser professora, doutora da uma universidade, né? Então? É um livro que, além disso, eu também apresento, é, 43 mulheres das áreas, da área de ciências Biomédicas da matemática, nesse livro, é um livro, assim de exposição de uma intelectualidade negra, de mulheres negras, né? E por fim, o meu mais novo livro, que é o história preta das coisas, 50 invenções científicas tecnológicas de pessoas negras, que é um livro que eu já começo com (...) começa, obviamente com as invenções, né? Eu trago 25 invenções ancestrais africanas, e 25 invenções de pessoas negras na contemporaneidade, tanto pessoas africanas quanto pessoas africanas na diáspora. Depois eu falo um pouco, né? É da descolonização em afro-perspectiva, fala um pouco da filosofia Ubuntu. De uma cosmo-percepção africana bantufona, para a gente entender o que é a ciência no ocidente e por que que nos colocam fora dela, né? Fala um pouco desse processo de desumanização de pessoas negras, é da da, da, da generalização acidental, né? De um modo de ser, estar e pensar o mundo. Assim, pensando uma pluriversalidade da existência humana, então trago algumas questões mais de natureza filosófica neste último, nesse último livro. E, é isso é uma produção também autoral e que está super bacana. Apresentador : Taí gente, os 6 livros de Bárbara Karine traduzindo todo, toda vivência, a militância de Bárbara Karine, inclusive a última obra que fala sobre as criações, né? Os feitos de pessoas negras que muitas vezes ficam desapercebido pela sociedade, né? Por nós como um todo, é parte do sistema de invisibilidade da população negra. E, Bárbara fala pra gente um pouco sobre a questão das opressões, né? Em seus discursos e debates estão sempre presentes, tentando inverter esses valores estabelecidos na sociedade. Quais são os principais entraves para a gente quebrar os paradigmas como, qual é o caminho que você aponta para isso? Barbara : Essa questão das opressões, eu acho que é um, um problema estrutural, né? O racismo é um problema estrutural, do acidente, né? Um problema estrutural dessa constituição ocidental que a gente foi submetido, né? É, e aí o patriarcado, né? A homofobia, a transfobia, enfim. Aí o capacitismo né? São várias formas de opressão que o capitalismo se utiliza para se nutrir, né? Ele se estrutura a partir dessas categorias, e lutar contra isso é algo, é algo muito importante, mas a gente precisa compreender que essa luta precisa ser coletiva, né? Ela não é uma luta singular. Não é uma luta lacrativa, de poucos atores que despontam na área e que, que vão produzir conteúdo, né? Nesse sentido, unicamente, de autopromoção talvez, né? É uma luta coletiva no sentido de pensar o combate às estruturas de fato, né? E eu acho que como combater as estruturas, a gente combate a partir dos organismos estruturais da estrutura, né? Então é pensar sim, como que a gente, a gente, a gente constrói e organizações né? Aquelas de apostas, como os movimentos sociais, os movimentos sindicais, né? Os partidos políticos ou estruturas outras né? Assim, eu não acredito em nada disso, Bárbara. Eu penso que a gente precisa montar, sei lá, uma guarda negra, eu acho que a gente precisa montar uma outra estrutura coletiva dentro de uma ótica quilombista, né? Dentro de um entendimento outro para poder, para poder, combater, né? Essas estruturas. Óbvio que, que, pelos complexos sociais já dados, né? Então, onde é seu campo de atuação? É lá que você vai lutar, então você é um educado ou uma educadora, como e enquanto um educador, uma educadora, eu posso construir, né? Esse paradigma outro? É essa revolução no espaço da minha escola? No espaço da universidade? No espaço que eu atuo como professor, professora? Ah, você é uma pessoa que trabalha na saúde? Como que nesse espaço eu posso fazer isso, né? E sempre pensando nos mecanismos coletivos, né? Sempre pensando nessa ótica de fortalecimento, de auto-fortalecimento, né? Auto-fortalecimento, no sentido da sua comunidade, da comunidade que você representa, da comunidade, que, que lhe outorga essa possibilidade de, de fala, né? De sustentação de, um de, de um discurso, de uma pauta. Apresentador : E bárbara, isso tem muito a ver com a questão da linguagem, o lugar de fala, né? O não lugar, a invisibilidade, não é mesmo? O que que você, que você acha? Barbará : Eu Acredito que a linguagem eu o lugar de fala, pode sim contribuir, né? Para a democratização dos espaços, sobretudo os universitários. Que sempre nos fizeram acreditar que não são nossos. É com as pessoas efetivamente falando a partir de suas realidades. Às vezes a gente quer falar sobre relações étnico raciais, mas dentro de uma tentativa de empatia, a gente acaba por não abordar, porque compreendemos que é o lugar do outro, né? Pessoas brancas muitas vezes compreendem dessa forma, né? Racializando apenas a negritude e a população indígena, né? Não se compreendendo também como racializada socialmente, né? Então, nesse sentido, eu acredito que essas manifestações, né? Em todos os espaços de poder, mas fundamentalmente no espaço universitário, das vivências, das experiências, elas são muito importantes para a gente compreender as contradições, né? Que a sociedade nos apresenta aí pensarmos coletivamente, as formas de superação delas, né? Apresentador : Bem, Bárbara, estamos caminhando agora para o final desta edição do podcast fragmento e eu quero deixar registrado aqui minha inteira gratidão com a sua participação em nosso, nesse programa, nesse projeto. Dizer que é uma honra imensa poder contar com, com a sua história para influenciar outras pessoas e até mesmo a nossa, que a gente vem trilhando e a 10 anos, enquanto livraria, mas, optamos agora passar a história das pessoas por mais esse meio de comunicação, o podcast, né? Que está à nossa disposição e a gente precisa usar da melhor forma possível para passar ideias que vão contribuir com o desenvolvimento de outras pessoas, né? É? Esse é o papel social da literatura, também né? É preservar a memória e construir o pensamento social, a partir das perspectivas do que a gente acredita e se dispõem a viver, não é isso? E, para finalizar mesmo, Bárbara, eu queria que você falasse um pouco mais desse projeto literário, né? História Preta das Coisas. Você já falou um pouco nas falas anteriores, mas eu queria que você abordasse um pouco mais, e aí deixar esse gostinho aí para quem quiser adquirir, entrar em contato com você, com a gente, enfim. Você pode falar um pouco mais? Barbara : Sobre o história preta das coisas, é um projeto literário que, foi lançado um livro, que foi lançado esse ano de 2021, que é um livro no qual apresentou 50 invenções de pessoas negras, né? Ao redor do mundo, 25 ancestrais africanas e 25 contemporâneas, né? De pessoas africanas e afro diaspóricas. Nesse livro também a gente discute um pouco do porque a ciência é pensada, ocidentalmente como, sendo branca. Ah, androcêntrico, né? cisgênera, capacitista. Isso a partir de uma perspectiva Bantufana. Dos povos, dos povos bantus, né? A partir da filosofia Ubuntu. Discuto também neste livro um pouco sobre a decolonialidade e descolonização em afro-perspectiva, né? Mobilizando autores e autoras negras que desenvolveram categorias decoloniais que foram muito importantes para o desenvolvimento para as bases dessa perspectiva teórica com tudo, são historicamente apagados dentro do referencial teórico. E falo um pouco também sobre as perspectivas de educação para as relações étnicos-raciais, né? O que vem a ser uma educação afro-brasileira? O que vem a ser uma educação afrocêntrica? O que vem a ser uma educação anti racista, né? E apresento esse quadro aí como possibilidade de ensino, a partir dessa temática. Apresentador : Bem, gente, essa foi mais uma edição do fragmento. O podcast da livraria Pandora. Voltamos na próxima semana com mais uma entrevista.Grande abraço e até lá.

  • Lis Lopes: Eu congelo o tempo - qual é o seu super poder?

    Apresentador: Olá gente, tudo bem? Meu nome é Helbson, e estamos começando mais uma edição do Fragmentos, o podcast da Livraria Pandora. E como vocês sabem, vamos receber hoje para nossa entrevista semanal a fotógrafa Lins Lopes. Nosso tema de hoje é fotografia. Lis Lopes é uma pessoa muito especial, muito querida e tem um trabalho voltado para o resgate da auto estima das mulheres, as pessoas que ela fotografa. Vocês vão ver, vão ficar encantadas também com o trabalho dela. Antes, porém, nós vamos ouvir um poema de Carlos Drummond de Andrade que fala também sobre fotografia. DIANTE DAS FOTOS DE EVANDRO TEIXEIRA A pessoa, o lugar, o objeto estão expostos e escondidos ao mesmo tempo, sob a luz, e dois olhos não são bastantes para captar o que se oculta no rápido florir de um gesto. É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana e do real de cada coisa um mais seco real extraia para que penetremos fundo no puro enigma das imagens. Fotografia-é o codinome da mais aguda percepção que a nós mesmos nos vai mostrando, e da evanescência de tudo edifica uma permanência, cristal do tempo no papel. Das lutas de rua no Rio em 68, que nos resta, mais positivo, mais queimante do que as fotos acusadoras, tão vivas hoje como então, a lembrar como exorcizar? Marcas de enchente e de despejo, o cadáver insepultável, o colchão atirado ao vento, a lodosa, podre favela, o mendigo de Nova York, a moça em flor no Jóquei Clube, Garrincha e Nureyev, dança de dois destinos, mães-de-santo na praia-templo de Ipanema, a dama estranha de Ouro Preto, a dor da América Latina, mitos não são, pois que são fotos. Fotografia: arma de amor, de justiça e conhecimento, pelas sete partes do mundo, viajas, surpreendes, testemunhas a tormentosa vida do homem e a esperança de brotar das cinzas. Carlos Drummond de Andrade. Apresentador : Agora sim, sem muita demora, vamos chamar nossa convidada e logo deixando esse espaço para se apresentar.Quem é liso Lopes? Liz Lopes : Uma mulher como tantas outras nesse Brasil, que se divide em uma luta diária para ser mãe, mulher, filha, empreendedora. Que todo dia vive uma busca incessante para ser respeitada, ser amada. E ser reconhecida. Apresentador: Muito, muito, muito bacana. Aí está Liz Lopes, uma pessoa comum.Uma mulher, mãe e que escolheu a profissão de fotografia, mas por que a fotografia, Liz Lopes? O que a fotografia, de fato, representa para você? Liz Lopes : Porque da fotografia, porque eu tenho super poder de congelar o tempo. E isso representa para mim, um grande ganho emocional de saber que eu toco a vida das pessoas de alguma forma. De saber que aquela mulher que eu fotografo, que eu estou retratando. Que ela começa a se ver, a se olhar com outros olhos. Ela se vê bonita, através das minhas lentes. Ela se vê bonita, ela se vê sensual, ela se vê poderosa. Saber que, de alguma forma, eu toquei a vida dessas mulheres, isso tem um ganho emocional pra mim, uma representatividade muito grande, quase que espiritual mesmo. Entendeu? De saber que, esse ensaio que eu faço, com todo esse trabalho eu resgato a autoestima dessas mulheres. Porque as mulheres são muito cobradas pela mídia, pela sociedade, então esse resgate é muito importante para o jeito de como ela vai se ver e essa experiência que ela vai viver é única. Apresentador : Pois é Lis, você acabou tocando em um ponto muito importante e preocupante, né? A tripla, quádrupla jornada que as mulheres têm de exercer todos os dias, né. Cuidar da família, trabalhar, muitas vezes estudar, é muito estafante e ela acaba deixando de cuidar de si mesma, de olhar para si. E esse trabalho de fotografia que você falou parece ser genial, né? Resgatar a autoestima a partir da fotografia. A partir do olhar da mulher para ela mesma. Penso, eu, que devia ter um retorno fantástico, né? Depois a gente precisa conhecer um pouco mais e quem tiver interesse, obviamente, pode acessar as redes sociais da Liz Lopes e conhecer muito do seu trabalho. Lis, a gente está passando por esse momento de pandemia, né? Como é que está o seu trabalho, neste período, Lis? Liz Lopes : Então, esse período que estamos passando da pandemia tem sido um período muito difícil para a fotografia. Alguns amigos fotógrafos, até abandonar a profissão.Por conta desse período. Como eu sou uma mulher como tantas nesse Brasil, como eu já disse que se divide, eu tenho dois empregos, então eu consegui equilibrar essa rotina, aí, com a foto um pouco escassa, no meu outro emprego que eu tenho. E mantendo as medidas, conservando as pessoas, né, que a gente tanto ama. São tempos muito difíceis. Estamos vivendo um período difícil. Espero que tenhamos uma lição disso tudo. Apresentador : Estamos recebendo aqui hoje a Liz Lopes, que faz seu trabalho de fotografia, um resgate da autoestima das mulheres que ela fotografa. Liz, pra não dizer que não falamos das flores, você tem alguma referência, algum livro que despertou esse empoderamento? Liz Lopes : Eu, mais jovem, devorava os livros do Sidney Sheldon, era apaixonada pelos livros dele. Tinha muitos livros dele, acho que li quase todos. É neles sempre a mulher, né, era a heroína, ela passava por muitas adversidades e superava todas elas. Então, eu acho que eu gostava desses livros porque sempre a heroína, uma mulher era forte, destemida, superava as adversidades, e ficava cada vez mais forte através disso. E, sobre a fotografia, eu nunca li um livro de fotografia. Eu nunca tive nenhum livro sobre a fotografia, falando especificamente, somente sobre a fotografia, nunca li nenhum e nunca comprei nenhum também. Bem, posso pensar, é um caso a se pensar, ter um livro aí, fotografia falando sobre fotógrafos famosos aqui do Brasil. Apresentador : Muito, muito bom, Lis, essa conversa, está muito bacana e com certeza as pessoas que estão nos ouvindo vai se inspirar, vai tirar como exemplo essa garra, essa determinação e essa colaboração ao próximo que você se dedica a fazer com a fotografia. E, diz aí pra gente aí, quais são as suas expectativas dos próximos períodos? O que a gente pode esperar da Liz Lopes aí? Liz Lopes : As minhas expectativas para os próximos períodos é que tudo melhore. É que o mundo se cure com que as pessoas tenham mais empatia umas pelas outras e, claro, com que eu volte a fotografar de novo, porque é meu ambiente seguro, né? Eu amo quando estou fotografando, aquilo ali me encanta, me fascina. Ali, eu estou fazendo o que eu amo, que eu gosto, que eu tenho verdadeira paixão. Direcionar as mulheres, de ver o olhar delas, de conversar. No final das contas, no final do ensaio, algumas clientes ficam até amigas. Você cria um elo, né? De amizade entre você e a cliente. Algumas se abrem, você é fotógrafo, você é psicóloga, você amiga, você irmã, vai ser um pouco mãe. É todo um cuidado. É todo um processo, então, minha expectativa é que esse, tudo se acabe. Que a pandemia se acabe, que o mundo se cure, e que eu possa fazer altos clicks aí. Pode esperar bastante ensaios com mulheres lindas, maravilhosas, poderosas. É, porque essas mulheres se reconheçam, se vejam cada vez mais lindas, mais imponderadas que elas se olhem com mais gentileza, né? A gente é tão gentil com o outro. Por que que a gente cobra tanto de si mesmo, né? Porque essas mulheres possam ser mais gentis com elas. Que eu possa, de alguma forma, mudar a vida delas de algum jeito, com a minha fotografia, com o meu trabalho, que eu faça muitas fotografias lindas aí, muitos cliques bacanas. E, é isso que vocês podem esperar de mim. Espero que eu possa corresponder às expectativas, né? Colocada sobre mim. É tudo que eu mais quero. Bem, até hoje, a maioria das minhas clientes ficam muito felizes quando eu entrego as fotos, então espero que isso aconteça cada vez mais. Apresentador : Uau… Eu tenho certeza que esse trabalho que você realiza na vida das mulheres, traz novas perspectivas para cada uma delas. Elas passam a olhar com outros olhos. E, eu queria que você falasse um pouco, é agora para aquelas que queiram fazer, mas ainda estão meio que, inseguras, incertas. O que elas podem esperar? Como é que elas podem te achar? Fala um pouquinho para essas mulheres, que te ouviram, e agora estão querendo te procurar. Lis Lopes : Você é mulher, está me ouvindo, que está com a autoestima baixa, com amor próprio reduzido, vem viver essa experiência comigo, vem resgatar essa auto estima, vem buscar esse amor próprio. Uma coisa eu te digo, o amor próprio é um caminho árduo, ninguém passa a se amar do dia pra noite. Ninguém fala a partir de hoje eu vou me amar. Não! É um processo. É um processo árduo, é caminho árduo, mas eu vou te dizer uma coisa, é um caminho sem volta. Depois que você aprende a se amar. Não tem volta mais, Você cada vez mais, vai se olhar com mais carinho, mais amor. Porque até porque eu acredito muito nisso, que a beleza vem muito de dentro para fora. Como você se impõem, como você se acha, é o jeito que você vai passar, vai transparecer para o outro. Então, se você se acha bonita, se você se achar sensual, é assim que vai ser. Só que muitas mulheres não tem essa segurança, mas tinha aquelas descobrem essa segurança… Ai, ai é amor pra vida toda, aí a cada dia mais se amando, e se jogando, e brilhando. E, é isso. Só vim fazer um ensaio sensual comigo que você, tenho certeza, vai adorar. Apresentador : Bem, amigos, agradeço de coração à Liz Lopes e a todos que estão nos ouvindo. Eh, espero encontrar vocês novamente na próxima semana com mais uma entrevista. Até mais, obrigado pela participação.

  • Mais que um malandro: Zé do Caroço como um símbolo de organização comunitária e resistência cultural

    A canção "Zé do Caroço", composta por Leci Brandão em 1978, é um retrato falado da vida em comunidades marginalizadas no Brasil, especificamente no Morro do Pau da Bandeira, no Rio de Janeiro. Através de uma narrativa musical, a canção nos apresenta a figura de Zé do Caroço, um líder comunitário que utiliza um sistema de alto-falantes para informar e conscientizar os moradores da favela. Sob uma perspectiva etnográfica, a letra da música revela diversos aspectos da vida social e cultural nas favelas cariocas. Zé do Caroço, com seu serviço de alto-falante, assume o papel de um comunicador popular, rompendo o monopólio da informação e levando notícias, avisos e mensagens de conscientização para a comunidade. Ele se torna a voz da favela, um porta-voz das necessidades e anseios dos moradores. A música também retrata a importância da organização comunitária e da solidariedade em face das dificuldades enfrentadas pelos moradores da favela. Zé do Caroço, ao alertar sobre o preço da feira, as tempestades que se aproximam e a necessidade de união, demonstra a importância da colaboração mútua para a sobrevivência e o bem-estar da comunidade. "Zé do Caroço" dialoga com a realidade social e política do Brasil na década de 1970, período marcado pela ditadura militar e pela intensificação da desigualdade social. A canção, ao criticar a alienação promovida pela televisão ("na hora que a televisão brasileira distrai toda gente com sua novela"), revela a importância da comunicação popular como ferramenta de conscientização e resistência. Zé do Caroço, ao usar o alto-falante para "botar a boca no mundo", se contrapõe ao discurso oficial e promove uma comunicação alternativa, voltada para os interesses da comunidade. A canção também nos permite observar elementos da cultura popular brasileira, como a linguagem coloquial, o ritmo do samba e a figura do malandro, que se manifesta na astúcia e na capacidade de improvisação de Zé do Caroço. Esses elementos culturais contribuem para a construção da identidade da comunidade e reforçam a mensagem de resistência e empoderamento da canção. "Zé do Caroço" é, portanto, um rico documento etnográfico que nos permite mergulhar na realidade social e cultural das favelas cariocas. Através da música, Leci Brandão dá voz aos moradores marginalizados e nos convida a refletir sobre a importância da comunicação popular, da organização comunitária e da luta por justiça social. A canção, que se tornou um hino de resistência, continua a ecoar nos dias de hoje, inspirando a luta por um futuro mais justo e igualitário.

  • Um sorriso negro: entre a dor e a fé, uma leitura etnográfica da canção

    A canção "Um Sorriso Negro", composta por Dona Ivone Lara, é um poema musicado que transcende a simples narrativa amorosa e se torna um poderoso retrato da experiência negra no Brasil. Através de uma linguagem poética e rica em simbologia, a canção nos convida a uma imersão etnográfica na cultura afro-brasileira, revelando nuances de dor, resistência e esperança. A dor da discriminação: “Um sorriso negro, um abraço negro, a mão que toca o violão...” A letra, logo em seus primeiros versos, evoca a marca da negritude em cada gesto, cada expressão. O sorriso, o abraço, a música – elementos usualmente associados à alegria e à partilha – ganham aqui uma conotação singular. O adjetivo "negro" que os qualifica, num contexto histórico de discriminação racial, sugere a presença constante da consciência racial e a impossibilidade de dissociar a vivência individual da experiência coletiva de um povo que carrega as marcas da escravidão. A força da ancestralidade: “Traz a força da raça, a beleza que vem da África...” A canção evoca a ancestralidade africana como fonte de força e beleza. A "força da raça" remete à resistência histórica do povo negro frente à opressão, enquanto a "beleza que vem da África" celebra a riqueza cultural e a herança ancestral que sobrevivem a séculos de apagamento e violência. A religiosidade como refúgio: “Um sorriso negro na fé, na crença, na reza, na prece...” A fé e a religiosidade se apresentam como elementos centrais na experiência do sujeito da canção. A menção à "reza" e à "prece" evoca a dimensão espiritual como fonte de conforto e esperança diante das adversidades. A religiosidade afro-brasileira, com suas raízes ancestrais e sua capacidade de sincretismo, surge como espaço de resistência cultural e afirmação identitária. O amor como resistência: “E um amor que se torna eterno, um sorriso negro.” O amor, na canção, surge como um ato de resistência. Em um contexto de discriminação e preconceito, amar e ser amado se torna uma forma de desafiar as estruturas sociais e afirmar a beleza e a dignidade da negritude. O sorriso negro, que se torna eterno, simboliza a força e a resiliência do amor que supera as barreiras do preconceito. A esperança de um futuro melhor: “Um sorriso negro que surge na aurora, na esperança de um novo dia...” A canção termina com uma mensagem de esperança. O sorriso negro que surge na aurora representa a expectativa de um futuro melhor, livre do racismo e da discriminação. A esperança de um novo dia simboliza a crença na possibilidade de transformação social e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Considerações Finais: "Um Sorriso Negro" é mais do que uma simples canção de amor. É um hino à negritude, um grito de resistência e uma ode à esperança. Através de sua letra poética e carregada de simbolismo, Dona Ivone Lara nos convida a uma profunda reflexão sobre a experiência negra no Brasil, revelando as marcas da dor, a força da ancestralidade, a importância da fé e a beleza do amor como forma de resistência. A canção nos lembra que, apesar de todas as adversidades, o sorriso negro continua a brilhar, iluminando o caminho na luta por um futuro mais justo e igualitário.

  • Maria Maria: um canto à força feminina brasileira

    A canção "Maria Maria", composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, é mais que uma melodia; é um retrato etnográfico da mulher brasileira, esculpido em versos e melodias. Lançada em 1978, a canção transcendeu o âmbito musical e se tornou um hino à força, resiliência e perseverança feminina, ecoando a luta diária de tantas "Marias" que constroem o Brasil. A Maria Brasileira: A letra da canção apresenta "Maria" como um arquétipo da mulher brasileira, especialmente daquelas que enfrentam adversidades e desigualdades sociais. Ela é "um dom, uma certa magia", "uma força que nos alerta", mas também carrega consigo "a marca" da luta, da dor e da resistência. Raízes Culturais: A canção evoca a miscigenação cultural brasileira, presente na sonoridade que mescla influências da música folclórica com elementos do jazz e da MPB. A própria figura de "Maria" representa essa mistura, carregando em si a herança de diferentes etnias e culturas que formam a identidade brasileira. Força e Resiliência: A letra enfatiza a força e a resiliência da mulher brasileira diante das dificuldades: "É preciso ter força / É preciso ter raça / É preciso ter gana sempre". "Maria" é aquela que "mistura a dor e a alegria", que "ri quando deve chorar" e que, apesar de tudo, "possui a estranha mania de ter fé na vida". Contexto Social: "Maria Maria" surge em um contexto de transformações sociais no Brasil, em meio à luta pelos direitos das mulheres e contra a ditadura militar. A canção, nesse sentido, reflete o anseio por liberdade e igualdade, dando voz àquelas que historicamente foram silenciadas. Legado e Impacto: A canção se tornou um clássico da música brasileira, sendo regravada por diversos artistas e presente em trilhas sonoras de novelas e filmes. Sua mensagem de força e esperança continua a inspirar gerações de mulheres, consolidando-se como um símbolo da luta feminina no Brasil. Observação: A análise etnográfica de "Maria Maria" revela a riqueza cultural e social presente na canção, que vai além da melodia e da letra, tocando em questões profundas da identidade brasileira e da força da mulher. A canção serve como um documento histórico e cultural, que registra e celebra a trajetória de luta e resistência das mulheres no Brasil.

  • A carne mais barata do mercado: uma análise etnográfica da canção de Elza Soares

    A música "A Carne", interpretada por Elza Soares, é um grito potente contra o racismo e a desigualdade social no Brasil. Lançada em 2002 no álbum "Do Cóccix até o Pescoço", a canção, composta por Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti, vai além da denúncia, tornando-se um manifesto em defesa da população negra e de sua ancestralidade. Observando a letra sob uma perspectiva etnográfica, podemos analisar como ela reflete a realidade social e histórica da população negra no país. A música ecoa as vozes marginalizadas que, por séculos, foram silenciadas e subjugadas. "A carne mais barata do mercado é a carne negra" é um verso que escancara a brutal realidade do racismo estrutural, que se manifesta na exploração da mão de obra, na violência policial e na falta de acesso a serviços básicos como saúde e educação. A canção também evoca a memória da escravidão, período em que corpos negros eram literalmente comercializados como mercadoria. Essa ferida histórica ainda aberta se manifesta nas desigualdades sociais que persistem até hoje. A letra nos convida a refletir sobre como o passado molda o presente e como as marcas da escravidão ainda estão presentes na sociedade brasileira. "A carne" é um chamado à resistência e à luta por justiça social. A música encoraja a população negra a se orgulhar de sua identidade e a lutar por seus direitos. Elza Soares, com sua voz potente e sua história de vida marcada pela superação, dá vida à canção e a transforma em um hino de empoderamento. A música também dialoga com a cultura afro-brasileira, utilizando elementos do samba e do hip hop, gêneros musicais que representam a resistência e a criatividade da população negra. Essa fusão de ritmos e estilos musicais reflete a riqueza e a diversidade da cultura afro-brasileira e reforça a mensagem de empoderamento da canção. "A carne" é mais do que uma música, é um documento etnográfico que registra as dores, as lutas e as esperanças da população negra no Brasil. É um convite à reflexão sobre o racismo e a desigualdade social e um chamado à ação para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Através da música, Elza Soares amplifica as vozes marginalizadas e nos convida a lutar por um futuro onde a carne negra não seja mais a mais barata do mercado.

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