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Posts do blog (127)

  • Magia, Ferro e Sangue: Quando a Ficção Especulativa se Torna Arma de Reexistência

    Muitas vezes, somos levados a acreditar que a literatura de fantasia — ou ficção especulativa — serve apenas para um propósito: o escapismo. Fugir da realidade, esquecer as dores do mundo e mergulhar em universos onde a magia resolve o que a política não alcança. Mas, aqui na Livraria Pandora, olhamos para a ficção sob outra ótica. Para povos que tiveram sua história apagada, seus nomes trocados e seus deuses demonizados, imaginar é um ato de guerra. Escrever (e ler) sobre um passado onde a magia ancestral não foi derrotada pela pólvora colonial não é fuga; é reexistência. É o que chamamos de disputa de imaginário. Nesta semana, destacamos duas obras do nosso acervo que fazem exatamente isso. Elas não nos tiram da realidade; elas reencantam a nossa história com a força do ferro, do sal e da memória. Conheça a Coleção Ficção & Ancestralidade, composta pelas obras Fios de Ferro e Sal e Trama Ancestral. Fios de Ferro e Sal: A Magia como Tecnologia de Guerra Ambientado no Brasil Império, este livro rompe com a narrativa passiva da escravidão. Aqui, a resistência não é feita apenas de fugas silenciosas, mas de confronto aberto, mediado pela força dos Orixás. A narrativa nos apresenta Kayin, um protagonista que carrega em si a densidade do ferro. A obra é brilhante ao entrelaçar a brutalidade histórica do século XIX com um sistema de magia que não é "mágico" no sentido europeu da palavra (varinhas e feitiços latinos), mas sim tecnológico no sentido amefricano. A conexão com Ogum — o orixá da tecnologia, do ferro e da abertura de caminhos — é o fio condutor. O livro nos pergunta: o que acontece quando a fúria ancestral encontra uma forma de se materializar em lâmina? É uma leitura épica, visual e sensorial. Você sente o gosto do sal e o peso do ferro. É para quem busca uma aventura que acelera o coração, mas que também alimenta a identidade. Trama Ancestral: O Pacto pela Memória Se Fios de Ferro e Sal é sobre a guerra externa, Trama Ancestral é sobre a batalha interna: a luta contra o esquecimento. Situado no século XVII, o livro toca na ferida fundamental da diáspora: a perda do nome e da linhagem. Mas, diferentemente dos livros de história que narram o apagamento como um fato consumado, esta ficção nos apresenta uma alternativa vertiginosa: um pacto com o Deus Aranha. A aranha é, em muitas mitologias africanas (como a de Anansi), a guardiã das histórias, a tecelã do destino e da astúcia. Aqui, a busca pela memória perdida se torna uma trama de suspense e espiritualidade. A obra nos convida a pensar: quem somos nós quando nos tiram tudo? E o que estamos dispostos a negociar para lembrar de volta? É uma narrativa sofisticada, que exige do leitor uma imersão nos silêncios e nos segredos tecidos nas entrelinhas da história oficial. Por que ler os dois agora? Janeiro é o mês das férias, do descanso, do "tempo livre". Mas o descanso do guerreiro também exige nutrição. Ao ler Fios de Ferro e Sal e Trama Ancestral em conjunto, você acessa duas faces da mesma moeda de resistência: A Guerra do Ferro (a luta física, a tecnologia de Ogum). A Guerra da Teia (a estratégia, a memória, a astúcia da Aranha). São livros que entretêm com a mesma intensidade que educam. Eles provam que a nossa ancestralidade não é peça de museu; é matéria viva, mágica e perigosa. 📚 A Oportunidade da Semana Para incentivar que você mergulhe nessas duas jornadas, preparamos uma condição especial na Coleção Ficção & Ancestralidade: ➤ Leve a Duologia: Na compra dos dois títulos juntos, você garante um desconto progressivo exclusivo. ➤ Invista no Futuro: Lembre-se que toda compra gera Pandora Cash. O investimento na sua diversão de hoje vira crédito para os seus livros técnicos de fevereiro. Não deixe para depois. A história está sendo reescrita agora.

  • O Inadmissível Triunfo: Por uma Pedagogia do Haiti

    Há um silêncio ruidoso sobre o Haiti. Nos noticiários, o país aparece sob a gramática da catástrofe: o terremoto, a intervenção, a miséria. Mas nas entrelinhas da História, o Haiti ocupa um lugar muito mais perigoso — e glorioso. Ele é o fantasma que assombra a modernidade colonial. Para nós, amefricanos, olhar para a ilha vizinha não é um ato de caridade, é um retorno à origem. Foi ali, em 1804, que a espinha dorsal do sistema escravista global foi quebrada pela primeira vez. Não por concessão branca, mas pela inteligência estratégica negra. Contudo, como acessar essa história se fomos educados para ignorá-la? A compreensão da Revolução Haitiana exige método. Não se pode encarar o sol de frente sem preparar a visão. Propomos, portanto, uma travessia em quatro atos através do nosso acervo — uma jornada que vai do sensível ao epistêmico. O Despertar dos Sentidos: O Real Maravilhoso Para quem chega agora, a teoria fria pode não dar conta do calor da revolta. É preciso primeiro sentir o cheiro da pólvora e ouvir os tambores de Bois Caïman. É aqui que a literatura de Alejo Carpentier se torna a porta de entrada. Em O Reino Deste Mundo, não lemos apenas sobre fatos; somos mergulhados na atmosfera do "real maravilhoso". Carpentier nos lembra que a revolução não nasceu apenas de ideais iluministas franceses, mas da cosmogonia vudu, do veneno de Mackandal e da força telúrica de uma gente que decidiu que a morte era preferível à corrente. É a história entrando pelos poros, antes de chegar ao cérebro. A Arquitetura da Guerra: Os Jacobinos Negros Uma vez capturados pela atmosfera, precisamos desfazer o mito do "caos". A narrativa colonial adora pintar a revolta negra como uma explosão de violência desordenada. C.L.R. James, em sua obra-prima Os Jacobinos Negros, destrói essa mentira. Ao ler James, descobrimos que Toussaint Louverture não era apenas um rebelde; era um estadista e um general militar superior aos seus contemporâneos europeus. Acompanhar suas manobras contra espanhóis, ingleses e as tropas de Napoleão é uma aula de geopolítica. Aqui, o leitor percebe que o Haiti venceu porque foi mais inteligente, mais disciplinado e politicamente mais astuto que o Velho Mundo. O Haiti não foi um acidente; foi um projeto. A Trincheira Intelectual: A Resposta de Firmin Mas a guerra não acabou no campo de batalha. No final do século XIX, a Europa tentou apagar a vitória haitiana com a tinta do "racismo científico". Diziam que, biologicamente, negros não poderiam criar civilização. É neste momento que a leitura se torna uma ferramenta de defesa. Em 1885, o intelectual haitiano Anténor Firmin publicou Da Igualdade das Raças Humanas. Escrevendo de Paris, ele usou a própria ciência ocidental para desmantelar as teses de inferioridade racial. Ler Firmin hoje é testemunhar a Soberania Epistêmica em ação: a capacidade de produzir teoria de ponta para defender a humanidade de todo um povo. Ele provou que a liberdade haitiana também era intelectual. O Mapeamento do Silêncio: A Lente de Trouillot Por fim, chegamos ao cume da montanha com Michel-Rolph Trouillot e seu Silencing the Past. Se o Haiti foi tão grandioso, por que ele é ensinado como uma nota de rodapé? Trouillot nos ensina que a Revolução Haitiana era "impensável" para o Ocidente. Ela violava a ontologia da época — a ideia de que escravizados pudessem desejar e conquistar a liberdade por conta própria era, literalmente, inconcebível para a mente colonial. Por isso, a história foi silenciada, banalizada ou apagada. Ler Trouillot é o passo final: é entender como a história é escrita e como o poder decide quem é lembrado. Na Livraria Pandora, acreditamos que livros são tecnologias de defesa. O Haiti não é apenas um país no mapa; é uma prova irrefutável de que o sistema colonial pode ser derrotado. Comece pelo romance, passe pela estratégia, estude a teoria e critique o silêncio. O Haiti tem a chave. Nós só precisamos girá-la.

  • Retrospectiva 2025: Da Resistência à Soberania Epistêmica

    Chegar ao dia 31 de dezembro é, por si só, uma vitória. 2025 não foi um ano simples; foi um teste de resiliência coletiva. Navegamos por tempos que exigiram a coragem de enfrentar retrocessos institucionais e a lucidez necessária para ler as entrelinhas de uma política cada vez mais complexa. Mais do que sobreviver, foi preciso cultivar o afeto radical para não sucumbir à dureza e ao cinismo do mundo. Aqui na Livraria Pandora, este foi o ano da nossa metamorfose. Decidimos que não bastava mais ser apenas uma "estante" ou um comércio de livros. Diante da urgência do nosso tempo, precisávamos ser raiz e tribuna. Ao olharmos para o retrovisor, nossa contabilidade não é financeira, é humana e intelectual. Nossa retrospectiva ignora os algoritmos de vendas para focar nos movimentos de expansão da consciência que provocamos. Relembramos hoje os marcos que construímos juntos : 1. A Leitura como Refúgio e Arma (Biblioterapia Política) Lemos muito, mas lemos com propósito. De Ana Maria Gonçalves a Frantz Fanon, de Bell Hooks a Ailton Krenak, nossa curadoria não foi aleatória. Em cada livro enviado para a casa de vocês, sabíamos que não seguia apenas papel e tinta, mas uma ferramenta de defesa intelectual. Entendemos a leitura como um ato de "biblioterapia política": curar a alienação através do conhecimento. Com Bell Hooks, aprendemos que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ética e uma ação política capaz de transformar estruturas de dominação. Com Krenak, entendemos a ecologia não como pauta acessória, mas como a urgência de adiar o fim do mundo. Com Fanon, afiamos o antirracismo não como slogan, mas como prática diária de descolonização mental. 2. A Coragem de se Posicionar (A Disputa de Narrativas) Em 2025, não fugimos do debate. Em tempos de desinformação, o silêncio é cúmplice. Por isso, falamos abertamente sobre necropolítica, dissecamos a farsa estatística da meritocracia, e iluminamos as complexidades da violência de gênero e da solidão da mulher negra. O Blog Pandora consolidou-se como um front de batalha onde a crítica social densa encontra a linguagem acessível. Provamos que é possível (e necessário) traduzir a teoria sociológica para a linguagem do cotidiano sem perder a profundidade. Democratizar o saber é o primeiro passo para a mudança. 3. O Nascimento da Revista Amefricana (O Grande Marco) Sem dúvida, a joia da coroa de 2025. Ousamos sonhar com um periódico científico próprio, de fluxo contínuo e acesso aberto, desafiando a lógica excludente das grandes academias. Inspirados pelo conceito de Amefricanidade de Lélia Gonzalez — que nos ensina a olhar para a América Latina com as lentes da nossa herança africana e indígena — fundamos um território de soberania epistêmica. O nascimento da Revista Amefricana não é apenas um projeto editorial; é um ato de rebeldia intelectual. É a prova de que não precisamos importar teorias do Norte Global para explicar nossas realidades. Estamos prontos para produzir, validar e difundir a nossa própria ciência, conectando a sociologia robusta à gestão pública eficiente. 4. A Comunidade que se Fortalece (O Quilombo Digital) Nada disso faria sentido sem a rede que tecemos. Cada compartilhamento, cada indicação no "Amigo Indica", cada comentário nos nossos ensaios ajudou a cimentar este quilombo digital. Vocês refutaram a tese de que "o brasileiro não lê" ou de que "a internet emburrece". Vocês provaram que existe uma demanda reprimida por pensamento crítico, denso e comprometido no Brasil. Transformamos seguidores em aliados e clientes em comunidade. Este aquilombamento é nossa maior proteção para o futuro. O que esperar de 2026? O ano que chega será de consolidação e expansão. Veremos os primeiros frutos práticos da Revista Amefricana influenciando debates reais. Ampliaremos nosso catálogo na Livraria Pandora, trazendo vozes ainda mais diversas. Continuaremos lutando, incansavelmente, por um mundo onde a epistemologia do Sul não seja apenas um rodapé, mas o Norte da bússola moral e intelectual. Obrigado por caminharem conosco e por confiarem na nossa curadoria. Descansem, celebrem a vida e recarreguem as energias. Em janeiro, temos muito trabalho (e leitura) pela frente. Helbson de Ávila e Equipe Pandora

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