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A Saúde Mental como Zona de Guerra: A Necropolítica do SUS na periferia


O adoecimento psíquico da juventude negra periférica não é uma falha do sistema; é o projeto. A máquina estatal brasileira opera com uma precisão cirúrgica e letal: quando não encarcera em massa ou extermina fisicamente os corpos amefricanos através do seu braço armado, atua de forma deliberada para suspender, esgotar e adoecer as suas subjetividades.


Historicamente, a psicologia e a psiquiatria hegemónicas — forjadas sob a égide da branquitude e da colonialidade do saber — trataram o sofrimento negro como um desvio de caráter, uma patologia isolada ou um mero "desequilíbrio químico". Contudo, como nos ensinou Frantz Fanon e, no Brasil, a psiquiatra Neusa Santos Souza, não se pode medicalizar a opressão estrutural. O trauma não nasce de uma falha cerebral; ele é forjado no asfalto, na bala perdida, na miséria planejada e na constante iminência da morte.


É com essa urgência analítica, e para romper com o higienismo do Estado daltônico, que o nosso Quilombo Científico, a Revista Amefricana, acaba de disponibilizar o artigo "Territórios de morte e subjetividades feridas: juventude negra periférica e a necropolítica da saúde mental no SUS".


A Geografia da Letalidade e a Gestão do Sofrimento

Conduzida de forma brilhante pelos pesquisadores Diogo Jacintho Barbosa, Georgia Fortunato, Luan Rezende e Maria Luysa Teodosio (UFJF), esta investigação recusa a visão liberal e individualista do adoecimento mental. O manuscrito é uma verdadeira auditoria que disseca como a necropolítica de Achille Mbembe não opera apenas nos caveirões da polícia militar, mas atua, de forma velada, por dentro das políticas públicas de saúde e assistência social.


A pesquisa escancara o que a nossa lente estrutural já intuía: o SUS, embora seja a maior conquista social da nossa Constituição, não é um território neutro. Quando analisamos a distribuição dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), o tempo de espera para atendimento psiquiátrico, a qualidade da escuta terapêutica e a protocolização medicamentosa excessiva, percebemos que o Estado brasileiro desenhou uma "geografia da letalidade".


Para a juventude negra e periférica, o sistema frequentemente oferece a psiquiatrização punitiva em vez do cuidado emancipatório. O racismo institucional decide quem tem direito à psicanálise e quem recebe apenas o sedativo. Como o artigo expõe, gerir o sofrimento da nossa juventude através do silenciamento medicamentoso é apenas outra forma de decretar a sua morte política e subjetiva.


A Urgência de uma Práxis Negra na Saúde

Se a sua pesquisa, a sua atuação no CRAS/CREAS, no CAPS, na sala de aula ou a sua militância ignora que a política de saúde mental no Brasil é estritamente gerida pela "linha da cor", você está apenas a enxugar gelo. Não basta romantizar o SUS nas redes sociais ou distribuir cartilhas de prevenção ao suicídio em setembro; é preciso auditar como a saúde chega à periferia.


O profissional da linha da frente precisa estar armado. Lidar com o sofrimento de um jovem negro cuja comunidade foi invadida pelo Estado não exige apenas empatia; exige Letramento Racial e uma Práxis Negra aplicada à saúde mental. É impossível promover a cura sem combater a estrutura que gera a ferida.


🧱 A Trincheira está aberta: Dissemine a nossa ciência

Este artigo é o tipo de tecnologia de defesa intelectual que a academia tradicional hesita em financiar ou divulgar com o devido peso, mas que o nosso ecossistema tem a obrigação de forjar e publicizar com total soberania epistêmica.


Clique aqui para acessar e ler o artigo completo https://revistaamefricana.com.br/revista/article/view/11)


🛠️ O Seu Próximo Passo: Financiamento é Autodefesa

A teoria arma a nossa práxis, mas é o seu apoio material que blinda a nossa infraestrutura. É exatamente para garantir que pesquisas como esta — elaboradas por intelectuais orgânicos da UFJF e de todo o Brasil — continuem a ser escritas e publicadas sem depender das amarras e dos editais do Norte Global, que forjamos a aliança Semear a Soberania.


Se você utiliza a nossa ciência na sua monografia, na sua tese ou no seu cotidiano profissional, assuma a responsabilidade de mantê-la viva.


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