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A SOBERANIA NÃO SE PEDE, SE CONSTRÓI

A Convocatória da Campanha "Semear a Soberania"


Durante séculos, a geopolítica do conhecimento operou sob uma lógica perversa de extração e silenciamento. O Sul Global, e especificamente a Améfrica Ladina, foi tratado pelas academias hegemônicas como um vasto campo de coleta de dados brutos — nossas dores, nossas estatísticas, nossos corpos —, enquanto a teorização, a análise e a validação intelectual permaneceram monopólio do Norte.


Vivemos, conforme denunciam nossos intelectuais orgânicos, sob a égide do epistemicídio. A estrutura acadêmica tradicional, muitas vezes, reproduz a lógica da plantation: ela extrai a nossa vivência como "objeto de estudo", mas sistematicamente nega a nossa autoridade como "sujeitos produtores de ciência".


É imperativo histórico rompermos o ciclo da dependência intelectual.

A Revista Amefricana não foi concebida para ser apenas mais um periódico científico em meio a tantos outros. Nossa gênese responde a uma urgência civilizatória: a necessidade de erguer um Quilombo Científico. Um território de soberania epistêmica onde as nossas vozes, as nossas escrevivências e os nossos teóricos deixem de ser notas de rodapé ou "recortes temáticos" para assumirem sua posição legítima como o centro gravitacional do debate sociológico e político.


Todavia, a liberdade real possui um custo inegociável: a Autonomia Material.


A Economia Política da Construção

Para que a Revista Amefricana permaneça radicalmente livre — desatada das amarras do mercado editorial hegemônico e imune às oscilações das verbas governamentais —, ela precisa ser sustentada pela própria comunidade a quem serve.


Não nos interessa a submissão a editais que exigem o silenciamento de nossas pautas mais agudas ou a moderação de nossa linguagem combativa. A verdadeira soberania não aceita cabresto.


Nesse sentido, lançamos a campanha "Semear a Soberania".

Não se trata de uma campanha de doação, tampouco de caridade. Trata-se de uma convocatória para a construção de infraestrutura. É um chamado solene para que pesquisadores, estudantes, ativistas e leitores coloquem os tijolos, o cimento e o teto da nossa própria casa intelectual.


A Dialética da Retomada: O Apoio que se converte em Arma

Compreendemos que a luta antirracista, para ser efetiva, deve operar em duas frentes simultâneas e complementares:

  • A Produção do Saber (A Revista): Onde se forja a ciência, o conceito, a teoria crítica e a análise de dados.

  • A Apropriação do Saber (A Livraria): Onde se acessa a leitura, o estudo e o armamento intelectual.


Para fechar esse ciclo virtuoso, estabelecemos uma Aliança Estratégica com a Livraria Pandora. Decidimos transformar o apoio à construção da revista em uma política concreta de democratização do acesso ao livro.


Ao tornar-se um Guardião da Ciência Negra, você viabiliza a tecnologia, a diagramação e a manutenção da revista (que permanecerá pública, gratuita e de acesso aberto para o mundo). Em contrapartida, como reconhecimento desse pacto, você recebe o direito de armar a sua biblioteca com condições exclusivas e vitalícias enquanto perdurar seu apoio.


Na Pandora, não oferecemos brindes. Oferecemos ferramentas de trabalho e emancipação.


Escolha o seu Posto na Trincheira

Estruturamos três categorias de apoio, desenhadas para refletir diferentes níveis de comprometimento com este projeto de civilização:


🌱 1. Guardião Semente (O Início do Ciclo)

Você planta o futuro imediato. Com este aporte, você garante a manutenção operacional básica do nosso servidor e a diagramação dos artigos.

A Retribuição: Você recebe 10% OFF em todo o acervo da Livraria Pandora, cumulativo com outras campanhas vigentes.


🌿 2. Guardião Raiz (A Base Forte)

Você aprofunda a estrutura. Seu apoio permite a profissionalização da equipe técnica (revisores, tradutores) e garante a periodicidade do fluxo contínuo.

A Retribuição: Você garante 20% OFF em todos os livros. É a modalidade ideal para estudantes em formação e pesquisadores ativos.


🌳 3. Guardião Baobá (A Perenidade e o Horizonte)

Você é o esteio da nossa existência a longo prazo. O Baobá não tomba. Seu apoio é visionário: ele financia dossiês especiais e, fundamentalmente, viabiliza a consolidação futura do nosso Observatório Amefricano. Trata-se de preparar o terreno para um centro de inteligência focado no monitoramento independente de políticas públicas raciais.


A Retribuição: Você conquista 30% OFF, o benefício máximo da casa. Mais do que um desconto, é um subsídio estratégico para que você monte uma biblioteca de referência internacional.


A Primeira Missão: O Batalhão dos 500

Para que a Revista Amefricana opere com plena capacidade e autonomia já neste primeiro semestre de 2026, definimos um objetivo tático: a formação de um Primeiro Quilombo de 500 Guardiões.


Este número não é aleatório; é a massa crítica necessária para sustentar a obra.


Com 500 apoiadores, garantimos a estabilidade técnica, a independência editorial e a dignidade remuneratória da nossa equipe, sem depender de nenhuma verba externa ou pública.


Se você lê esta convocatória, você já é parte dessa equação.


Não espere pela validação externa. Seja o guardião número 1, o 12, o 488.

Seja a fundação.


Um Pacto pelo Futuro

Cada assinatura nesta campanha é um tijolo na edificação de uma ciência que fala a nossa língua (o Pretuguês), que respeita os nossos saberes ancestrais e que traduz as nossas dores em potência política.


A universidade pode e deve ser pública, mas o pensamento precisa ser radicalmente livre. E só é livre quem detém os meios de sua própria produção intelectual.

Não aguardaremos que o Norte Global valide o que o Sul tem a dizer.


Junte-se ao Quilombo. Assine a campanha, arme a sua biblioteca e venha escrever a história conosco.


A soberania não se pede, se constrói.

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