A SOBERANIA NÃO SE PEDE, SE CONSTRÓI
- Helbson de Avila
- há 5 dias
- 4 min de leitura

A Convocatória da Campanha "Semear a Soberania"
Durante séculos, a geopolítica do conhecimento operou sob uma lógica perversa de extração e silenciamento. O Sul Global, e especificamente a Améfrica Ladina, foi tratado pelas academias hegemônicas como um vasto campo de coleta de dados brutos — nossas dores, nossas estatísticas, nossos corpos —, enquanto a teorização, a análise e a validação intelectual permaneceram monopólio do Norte.
Vivemos, conforme denunciam nossos intelectuais orgânicos, sob a égide do epistemicídio. A estrutura acadêmica tradicional, muitas vezes, reproduz a lógica da plantation: ela extrai a nossa vivência como "objeto de estudo", mas sistematicamente nega a nossa autoridade como "sujeitos produtores de ciência".
É imperativo histórico rompermos o ciclo da dependência intelectual.
A Revista Amefricana não foi concebida para ser apenas mais um periódico científico em meio a tantos outros. Nossa gênese responde a uma urgência civilizatória: a necessidade de erguer um Quilombo Científico. Um território de soberania epistêmica onde as nossas vozes, as nossas escrevivências e os nossos teóricos deixem de ser notas de rodapé ou "recortes temáticos" para assumirem sua posição legítima como o centro gravitacional do debate sociológico e político.
Todavia, a liberdade real possui um custo inegociável: a Autonomia Material.
A Economia Política da Construção
Para que a Revista Amefricana permaneça radicalmente livre — desatada das amarras do mercado editorial hegemônico e imune às oscilações das verbas governamentais —, ela precisa ser sustentada pela própria comunidade a quem serve.
Não nos interessa a submissão a editais que exigem o silenciamento de nossas pautas mais agudas ou a moderação de nossa linguagem combativa. A verdadeira soberania não aceita cabresto.
Nesse sentido, lançamos a campanha "Semear a Soberania".
Não se trata de uma campanha de doação, tampouco de caridade. Trata-se de uma convocatória para a construção de infraestrutura. É um chamado solene para que pesquisadores, estudantes, ativistas e leitores coloquem os tijolos, o cimento e o teto da nossa própria casa intelectual.
A Dialética da Retomada: O Apoio que se converte em Arma
Compreendemos que a luta antirracista, para ser efetiva, deve operar em duas frentes simultâneas e complementares:
A Produção do Saber (A Revista): Onde se forja a ciência, o conceito, a teoria crítica e a análise de dados.
A Apropriação do Saber (A Livraria): Onde se acessa a leitura, o estudo e o armamento intelectual.
Para fechar esse ciclo virtuoso, estabelecemos uma Aliança Estratégica com a Livraria Pandora. Decidimos transformar o apoio à construção da revista em uma política concreta de democratização do acesso ao livro.
Ao tornar-se um Guardião da Ciência Negra, você viabiliza a tecnologia, a diagramação e a manutenção da revista (que permanecerá pública, gratuita e de acesso aberto para o mundo). Em contrapartida, como reconhecimento desse pacto, você recebe o direito de armar a sua biblioteca com condições exclusivas e vitalícias enquanto perdurar seu apoio.
Na Pandora, não oferecemos brindes. Oferecemos ferramentas de trabalho e emancipação.
Escolha o seu Posto na Trincheira
Estruturamos três categorias de apoio, desenhadas para refletir diferentes níveis de comprometimento com este projeto de civilização:
🌱 1. Guardião Semente (O Início do Ciclo)
Você planta o futuro imediato. Com este aporte, você garante a manutenção operacional básica do nosso servidor e a diagramação dos artigos.
A Retribuição: Você recebe 10% OFF em todo o acervo da Livraria Pandora, cumulativo com outras campanhas vigentes.
🌿 2. Guardião Raiz (A Base Forte)
Você aprofunda a estrutura. Seu apoio permite a profissionalização da equipe técnica (revisores, tradutores) e garante a periodicidade do fluxo contínuo.
A Retribuição: Você garante 20% OFF em todos os livros. É a modalidade ideal para estudantes em formação e pesquisadores ativos.
🌳 3. Guardião Baobá (A Perenidade e o Horizonte)
Você é o esteio da nossa existência a longo prazo. O Baobá não tomba. Seu apoio é visionário: ele financia dossiês especiais e, fundamentalmente, viabiliza a consolidação futura do nosso Observatório Amefricano. Trata-se de preparar o terreno para um centro de inteligência focado no monitoramento independente de políticas públicas raciais.
A Retribuição: Você conquista 30% OFF, o benefício máximo da casa. Mais do que um desconto, é um subsídio estratégico para que você monte uma biblioteca de referência internacional.
A Primeira Missão: O Batalhão dos 500
Para que a Revista Amefricana opere com plena capacidade e autonomia já neste primeiro semestre de 2026, definimos um objetivo tático: a formação de um Primeiro Quilombo de 500 Guardiões.
Este número não é aleatório; é a massa crítica necessária para sustentar a obra.
Com 500 apoiadores, garantimos a estabilidade técnica, a independência editorial e a dignidade remuneratória da nossa equipe, sem depender de nenhuma verba externa ou pública.
Se você lê esta convocatória, você já é parte dessa equação.
Não espere pela validação externa. Seja o guardião número 1, o 12, o 488.
Seja a fundação.
Um Pacto pelo Futuro
Cada assinatura nesta campanha é um tijolo na edificação de uma ciência que fala a nossa língua (o Pretuguês), que respeita os nossos saberes ancestrais e que traduz as nossas dores em potência política.
A universidade pode e deve ser pública, mas o pensamento precisa ser radicalmente livre. E só é livre quem detém os meios de sua própria produção intelectual.
Não aguardaremos que o Norte Global valide o que o Sul tem a dizer.
Junte-se ao Quilombo. Assine a campanha, arme a sua biblioteca e venha escrever a história conosco.
A soberania não se pede, se constrói.
👇




















Comentários