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Retrospectiva 2025: Da Resistência à Soberania Epistêmica

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Chegar ao dia 31 de dezembro é, por si só, uma vitória.


2025 não foi um ano simples; foi um teste de resiliência coletiva. Navegamos por tempos que exigiram a coragem de enfrentar retrocessos institucionais e a lucidez necessária para ler as entrelinhas de uma política cada vez mais complexa. Mais do que sobreviver, foi preciso cultivar o afeto radical para não sucumbir à dureza e ao cinismo do mundo.


Aqui na Livraria Pandora, este foi o ano da nossa metamorfose. Decidimos que não bastava mais ser apenas uma "estante" ou um comércio de livros. Diante da urgência do nosso tempo, precisávamos ser raiz e tribuna.


Ao olharmos para o retrovisor, nossa contabilidade não é financeira, é humana e intelectual. Nossa retrospectiva ignora os algoritmos de vendas para focar nos movimentos de expansão da consciência que provocamos.


Relembramos hoje os marcos que construímos juntos:


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1. A Leitura como Refúgio e Arma (Biblioterapia Política)


Lemos muito, mas lemos com propósito. De Ana Maria Gonçalves a Frantz Fanon, de Bell Hooks a Ailton Krenak, nossa curadoria não foi aleatória. Em cada livro enviado para a casa de vocês, sabíamos que não seguia apenas papel e tinta, mas uma ferramenta de defesa intelectual.


Entendemos a leitura como um ato de "biblioterapia política": curar a alienação através do conhecimento.


Com Bell Hooks, aprendemos que o amor não é apenas um sentimento, mas uma ética e uma ação política capaz de transformar estruturas de dominação.


Com Krenak, entendemos a ecologia não como pauta acessória, mas como a urgência de adiar o fim do mundo.


Com Fanon, afiamos o antirracismo não como slogan, mas como prática diária de descolonização mental.


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2. A Coragem de se Posicionar (A Disputa de Narrativas)


Em 2025, não fugimos do debate. Em tempos de desinformação, o silêncio é cúmplice. Por isso, falamos abertamente sobre necropolítica, dissecamos a farsa estatística da meritocracia, e iluminamos as complexidades da violência de gênero e da solidão da mulher negra.


O Blog Pandora consolidou-se como um front de batalha onde a crítica social densa encontra a linguagem acessível. Provamos que é possível (e necessário) traduzir a teoria sociológica para a linguagem do cotidiano sem perder a profundidade. Democratizar o saber é o primeiro passo para a mudança.


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3. O Nascimento da Revista Amefricana (O Grande Marco)


Sem dúvida, a joia da coroa de 2025. Ousamos sonhar com um periódico científico próprio, de fluxo contínuo e acesso aberto, desafiando a lógica excludente das grandes academias.


Inspirados pelo conceito de Amefricanidade de Lélia Gonzalez — que nos ensina a olhar para a América Latina com as lentes da nossa herança africana e indígena — fundamos um território de soberania epistêmica.


O nascimento da Revista Amefricana não é apenas um projeto editorial; é um ato de rebeldia intelectual. É a prova de que não precisamos importar teorias do Norte Global para explicar nossas realidades. Estamos prontos para produzir, validar e difundir a nossa própria ciência, conectando a sociologia robusta à gestão pública eficiente.


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4. A Comunidade que se Fortalece (O Quilombo Digital)


Nada disso faria sentido sem a rede que tecemos. Cada compartilhamento, cada indicação no "Amigo Indica", cada comentário nos nossos ensaios ajudou a cimentar este quilombo digital.


Vocês refutaram a tese de que "o brasileiro não lê" ou de que "a internet emburrece". Vocês provaram que existe uma demanda reprimida por pensamento crítico, denso e comprometido no Brasil. Transformamos seguidores em aliados e clientes em comunidade. Este aquilombamento é nossa maior proteção para o futuro.


O que esperar de 2026?


O ano que chega será de consolidação e expansão.

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Veremos os primeiros frutos práticos da Revista Amefricana influenciando debates reais. Ampliaremos nosso catálogo na Livraria Pandora, trazendo vozes ainda mais diversas.


Continuaremos lutando, incansavelmente, por um mundo onde a epistemologia do Sul não seja apenas um rodapé, mas o Norte da bússola moral e intelectual.


Obrigado por caminharem conosco e por confiarem na nossa curadoria.


Descansem, celebrem a vida e recarreguem as energias. Em janeiro, temos muito trabalho (e leitura) pela frente.


Helbson de Ávila e Equipe Pandora

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