Entrevista: Helbson de Avila e a forja de uma práxis antirracista no Estado
- Helbson de Avila
- há 2 dias
- 4 min de leitura

Por trás de cada tecnologia de defesa intelectual que disponibilizamos na Livraria Pandora, existe um artífice. Na última segunda-feira, apresentamos a você a Ferramenta RAIZ, a metodologia rigorosa desenhada para auditar as políticas públicas do Estado. Hoje, damos um passo atrás para olhar nos olhos de quem forjou essa arma.
Helbson de Avila não é apenas um sociólogo restrito aos muros da academia; ele é um intelectual orgânico cuja pesquisa nasce da urgência de intervir na realidade material do Brasil. O lançamento de A Raiz da Questão (a nossa mais nova adição à Coleção Práxis Negra) não é apenas um marco editorial, mas um movimento de ocupação de espaços. Esta semana, essa ocupação ganhou contornos nacionais. Antes de mergulharmos nos bastidores da obra, compartilhamos um relato direto do autor, vindo das trincheiras da comunicação pública.
A Ocupação do Imaginário: O Relato do Autor
Na última terça-feira, Helbson ocupou os estúdios da icônica Rádio MEC para gravar o tradicional programa "Conversa com o Autor". Para nós, da Pandora, ver a sociologia crítica amefricana ecoar em frequências nacionais é a materialização da nossa soberania epistêmica.
Em suas próprias palavras — carregadas da afetuosidade e da contundência próprias da nossa escrevivência —, Helbson relatou o momento:
"Sabe aquele momento em que a ficha demora um pouco a cair, mas o coração transborda de gratidão? Foi muito mais do que uma simples entrevista; foi um bate-papo riquíssimo e profundo, conduzido com uma sensibilidade ímpar pela jornalista Katy Navarro. Falamos sobre os bastidores da escrita, os caminhos da pesquisa sociológica e, claro, pudemos aprofundar as ideias centrais do meu livro, A Raiz da Questão.
É extremamente gratificante poder ocupar um espaço de alcance nacional para debater como a estrutura do Estado e as políticas públicas impactam diretamente a luta pela igualdade racial no nosso país. A nossa reflexão precisa transbordar os muros da universidade e chegar a cada vez mais pessoas. E nada disso acontece de forma isolada. Por isso, deixo o meu agradecimento à equipe da Editora Albatroz pela edição da obra, e a todo o ecossistema que viabiliza esse espaço vital para o nosso debate."
O episódio completo irá ao ar em breve nas frequências da rádio e em vídeo no YouTube — divulgaremos as datas oficiais por aqui —, mas a nossa conversa com Helbson já começou nos nossos bastidores.
Diálogos Amefricanos: Os Bastidores de "A Raiz da Questão"
Para humanizar a teoria e entender o motor que impulsionou a escrita deste livro, a equipe editorial da Livraria Pandora sentou-se com Helbson de Avila para um diálogo direto e sem filtros.
Livraria Pandora: Helbson, o seu relato sobre a gravação na Rádio MEC mostra a urgência de furar a bolha acadêmica. Por que escrever A Raiz da Questão agora? O que estava a faltar no debate sobre políticas públicas?
Helbson de Avila: Estava a faltar método. Nós avançamos muito na denúncia teórica do racismo estrutural. Lemos Silvio Almeida, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez. Mas quando o assistente social chega ao CRAS, ou quando o gestor público senta para desenhar um orçamento, a branquitude burocrática engole a teoria. O Estado finge ser daltônico. Escrevi o livro porque me recuso a ver a nossa sociologia reduzida a grupos de estudo. Precisávamos de um bisturi. A Ferramenta RAIZ nasceu da exaustão de ver o Estado gerir a miséria negra em vez de promover a nossa emancipação. É um livro escrito para ser usado no "chão" de fábrica do serviço público.
Livraria Pandora: A pesquisa sociológica no Brasil, quando não é validada pelo Norte Global, sofre um apagamento sistemático — o que chamamos de epistemicídio. Como foi o processo de forjar essa pesquisa num ambiente que muitas vezes é hostil à nossa epistemologia?
Helbson de Avila: É uma verdadeira zona de guerra. A academia tradicional ainda exige que peçamos licença para utilizar os nossos próprios autores como referenciais primários. Exigem-nos uma "isenção" e uma "neutralidade" que, na verdade, são apenas sinônimos para a manutenção do status quo. É por isso que projetos autônomos são uma questão de sobrevivência. Eu não conseguiria forjar uma práxis antirracista sem redes de apoio. A existência de iniciativas independentes e espaços de circulação rigorosos como a Livraria Pandora formam o nosso escudo. Eles provam que nós somos perfeitamente capazes de produzir, auditar e financiar a nossa própria ciência.
Livraria Pandora: Se você pudesse dar um recado final para o profissional que está agora na ponta do Estado, lidando com os danos dessa necropolítica diária, qual seria?
Helbson de Avila: Não tentem improvisar contra uma máquina que levou séculos a ser refinada. A intenção não salva ninguém no serviço público; o método sim. Usem a lente estrutural a vosso favor, auditem os dados que vos entregam e exijam os dados que vos escondem. A Raiz da Questão é o vosso arsenal.
🛠️ O Seu Próximo Passo: O Arsenal está liberado
A intelectualidade amefricana não pede licença; ela constrói as suas próprias fundações. Helbson de Avila entregou a ferramenta, e o livro já se encontra oficialmente disponível para pronta entrega nas diversas livrarias do país.
No entanto, o seu poder de escolha é também um ato político. Ao optar por adquirir a obra diretamente na Livraria Pandora, você não está apenas a comprar um livro; está a fortalecer o ecossistema que financia e mantém viva a nossa ciência independente.
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A teoria arma a práxis. A ferramenta está nas ruas. Assuma o seu posto.




















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